A ‘pílula do câncer’ e o péssimo começo do novo ministro da Saúde

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

Se a primeira impressão é realmente a que fica, foi um verdadeiro desastre a entrevista coletiva do ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), nomeado pelo presidente Michel Temer (PMDB-SP) na semana passada. Além de repetir o estilo calamitoso de seu antecessor ao tecer comentários sobre o mosquito Aedes aegypti e de ter se pronunciado em favor da liberação da fosfoetanolamina — a chamada “pílula do câncer”, cuja aprovação pelo Congresso foi desaconselhada pela comunidade científica e por órgãos técnicos do próprio ministério —,  o novo titular da pasta deixou nesse primeiro contato com a imprensa brasileira a imagem de um “paraquedista” na área, desprovido de conhecimentos essenciais para a gestão da saúde pública brasileira, reforçando a reputação negativa do novo governo de desrespeito a critérios técnicos na escolha de ministros em favor da negociação meramente política.

 

Evitar estrago maior

As afirmações de Barros para a imprensa (ver reportagens do Estadão, Folha, O Globo e Valor Econômico) já mobilizaram o secretário estadual da Saúde de São Paulo, o infectologista David Uip, a viajar para Brasília nesta segunda-feira (16/5) para tentar evitar que o ministro tome em relação à fosfoetanolamina medidas definitivas e prejudiciais não só para a pesquisa sobre a eficácia da droga, mas também para seu controle e fiscalização. Em sua entrevista exclusiva à jornalista Giovana Girardi, publicada hoje no Estadão, Uip até tentou ser diplomático e amenizar a situação do ministro, mas não conseguiu esconder sua apreensão, como mostram suas palavras transcritas a seguir.

Ele estava tomando posse. Vai depender da nossa ajuda de mostrar como vai a pesquisa básica e depois a clínica. Seguramente ele vai esperar ter todos os dados de São Paulo antes de ter uma posição mais definitiva sobre a questão. O ministro refletiu o que aconteceu no País. A Câmara aprovou, o Senado aprovou e a presidente Dilma aprovou. Cabe a nós provar se funciona.

 

Por favor, pessoal do CTI

Direto da Ciência solicita a ajuda de pesquisadores e demais funcionários do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), em Campinas (SP), para obter um esclarecimento que não está conseguindo desde quarta-feira (11/5) à noite com a direção do órgão nem com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que se juntou com o Ministério das Comunicações na semana passada. O diretor do CTI exerceu mandato de junho maio de 2011 a junho maio de 2015, após esse período foi incluído em lista tríplice submetida ao MCTI e continua no cargo. Ao que tudo indica, não há registro no Diário Oficial da União da recondução do atual diretor do CTI ao cargo, como exige o estatuto do órgão, estabelecido pela portaria MCTI 907, de 4 de dezembro de 2006.

 

Não tem registro

Ainda na quinta-feira (12/5) o MCTI informou por meio de sua assessoria que o dirigente teria sido reconduzido em 2 de outubro de 2015. No entanto, a publicação não registra o ato oficial nessa data, que curiosamente foi a mesma da exoneração do ministro do MCTI, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e de sua nomeação para o Ministério da Defesa pela presidente Dilma Rousseff. Direto da Ciência tentou também obter esclarecimentos com o ex-ministro, mas não obteve resposta. Informações podem ser enviadas para o espaço de comentários abaixo. Para quem preferir o anonimato, pode ser usado o formulário Fale conosco deste site. Obrigado.

 

Em manutenção

Direto da Ciência pede desculpas pelo atraso na publicação desta coluna hoje devido a contratempos com a manutenção do site após problemas decorrentes da atualização de softwares.

 

Destaques na internet

Seleção de artigos, reportagens e outros textos publicados on-line desde a coluna de ontem.

Agência Fapesp

Agência Gestão de CT&I

Envolverde

Época

O Estado de S. Paulo

Folha de S.Paulo

G1

Gene Repórter

O Globo

InforMMA

The New York Times

Valor Econômico

Na imagem acima, o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto, em 13/5/2016. Foto: José Cruz/Agência Brasil


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