Secretária do Meio Ambiente de SP diz a gestores que ‘mordaça’ foi ‘mal-entendido’

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

Apesar de a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SMA) ter comunicado na semana passada aos gestores de unidades de conservação e estações experimentais que não deveriam dar entrevistas à imprensa sobre a aprovação da lei que autorizou concessões de 25 dessas áreas à iniciativa privada, a secretária Patricia Iglecias, em reunião na sede da pasta na tarde de ontem (quarta-feira, 15/6), afirmou que houve um “mal-entendido” sobre a “orientação”. Isso agora, depois de o assunto já ter sido amplamente abordado pelos principais veículos de comunicação, tendo como fontes somente a própria secretária e o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

 

‘Ninguém está autorizado’

Na quinta-feira da semana passada (9/6), o Instituto Florestal, um dos órgãos da SMA, enviou por e-mail para todos os seus funcionários, afirmando

Conforme instruções recebidas da SMA, todas as solicitações de imprensa sobre a aprovação da lei que autoriza a concessão em unidades de conservação devem ser encaminhadas à Gerência de Comunicação da SMA.
“_a única porta-voz para este tema é a secretária Patrícia Iglecias.
Ninguém está autorizado a dar entrevistas sobre este tema sem ser a
secretária Patrícia_”

 

Outro lado: ‘Orientação’

Após a publicação do conteúdo integral da citada mensagem em nossa edição de sexta-feira (10/6), a Gerência de Comunicação da SMA, questionada por Direto da Ciência, encaminhou a resposta transcrita a seguir.

A orientação foi passada aos diretores e gestores do Sistema Ambiental Paulista e não a todo o corpo de funcionários. Ao receber um pedido de entrevista, um gestor ou diretor falará como porta voz da instituição e é absolutamente normal que as instituições escolham seus porta vozes para determinadas pautas. A orientação passada aos diretores tem justamente este propósito: definir quem é o porta voz do tema em nome do Sistema Ambiental Paulista. Na condição de cidadão, qualquer um pode dar sua opinião.

 

Fala, ‘cidadão’!

Participaram da reunião de ontem com a secretária Patricia Iglecias cerca de 50 gestores de unidades de conservação. No encontro, ela afirmou que para informar  à imprensa os gestores devem encaminhar para a Gerência de Comunicação da SMA os jornalistas que solicitarem a posição oficial da pasta, o que já é mais do que sabido. Mas ela acrescentou que os responsáveis pelas unidades só podem se expressar sobre as concessões individualmente, na condição de “cidadãos”.

 

Nada a questionar

Na reunião de ontem na SMA, nenhum dos gestores presentes questionou a secretária se eles poderiam se manifestar como profissionais responsáveis pela gestão de suas unidades — cujas perspectivas sobre os problemas que enfrentam nem sempre é convergente com a do governo. A lei complementar 1.096, de 24 de setembro de 2009, revogou no Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de São Paulo (lei 10.261, de 28 de outubro de 1968) o inciso I do artigo 242, que era a única restrição no texto para a o contato de servidores com a imprensa. Vamos ver o que acontecerá quando houver a sanção da lei pelo governador. Muitos desses “cidadãos” são contratados em cargos de confiança.

 

Nona gestão no ICMBio

O Diário Oficial da União publicou hoje decreto de nomeação de Rômulo José Fernandes Barreto Mello para o cargo de presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), sucedendo Cláudio Maretti, que foi exonerado no dia 9. O novo presidente já dirigiu o órgão de 2008 a 2012 — ou seja, em quase metade de seus nove anos de existência —, também já comandou o Ibama, onde trabalhou desde sua fundação em 1989.

 

Destaques na internet

Seleção de artigos, reportagens e outros textos publicados on-line desde a coluna de ontem.

Agência Fapesp

Agência Gestão de CT&I

O Estado de S. Paulo

G1

Jornal da Ciência (SBPC)

MCTI – Notícias

Observatório do Clima

Unicentro – Central de Notícias

Universidade Estadual da Paraíba

Universidade Estadual de Ponta Grossa

Valor Econômico

 

Na imagem acima, a secretária do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Patricia Iglecias, em audiência pública na Assembleia Legislativa em 2 de junho. Foto: Alesp/Divulgação.


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2 Comentários

  1. José da Silva said:

    Além do fato de que muitos dos gestores são contratados em cargos de confiança há também o agravante do aparelhamento político envolvido nessas contratações, como já mostraram os jornais
    Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/10/1694198-grupo-e-alvo-de-sindicancia-apos-criticar-ex-secretario-de-alckmin.shtml)
    e O Estado de São Paulo (http://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,ambientalistas-veem-aparelhamento-politico-em-ucs-de-sao-paulo,1067490).

  2. Anonymous said:

    Prezado Maurício Tuffani, na verdade, você foi sutil com os gestores de UCs. Estive na reunião com a Secretária e somente agora lendo sua matéria, percebo que nosso silêncio sobre essa orientação pegou mal.

Comentários encerrados.

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