Falta o governo Temer definir se reajustará metas do Acordo de Paris

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

Após ter adiado a ratificação do Acordo de Paris perante as Nações Unidas, que havia agendado para 29 de agosto, o presidente Michel Temer (PMDB-SP) foi para as reuniões do G-20 e do Brics, na China, sem seu governo ter esclarecido se pretende ou não reajustar as metas brasileiras de emissões de gases de efeito estufa, que haviam sido fixadas com base em referências defasadas. E, para sua sorte, também sem ter sido até agora cobrado sobre isso.

O Acordo de Paris prevê metas de redução da emissões de gases com base na estimativa para 2005. O Brasil se comprometeu a reduzir suas emissões em 37% até 2025 e em até 43% até 2030. Somente em maio deste ano o governo, ainda na gestão de Dilma Rousseff (PT-RS), reajustou para 2,7 bilhões de toneladas de equivalente em gás carbônico (CO2) seu cálculo anterior, que apontava 2,1 bilhões de toneladas.

Apesar de a revisão da estimativa anterior ter sido concluída em 2015, Dilma somente deu conhecimento dela para as Nações Unidas dois dias antes da cerimônia de assinatura do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, na sede das Nações Unidas, em Nova York, em 22 de abril. O dado reajustado só foi divulgado oficialmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) duas semanas depois (“Governo Dilma ofusca necessidade de reajustar metas de reduções de gases estufa”, 9/mai).

Depois do inesperado anúncio conjunto por parte da China e dos Estados Unidos da ratificação do Acordo de Paris  — os dois países são responsáveis por 20,09% e 17,89% das emissões mundiais, respectivamente — tornou-se ainda mais importante a posição do Brasil, para o qual as Nações Unidas registram 2,48% de participação no total de carbono lançado à atmosfera. O acordo prevê sua entrada em vigor a partir de sua ratificação por pelo menos 55 países e que correspondam ao mínimo de 55% das emissões de CO2, conforme a tabela oficial da Convenção do Clima.

A controvérsia sobre se o Brasil deve ou não reajustar suas metas foi debatida por especialistas em artigos publicados em Direto da Ciência. Para acessá-los, use a tag do debate.

 

China, EUA e o clima

Na sexta-feira, além de publicar o artigo “China e EUA ratificam Acordo de Paris”, de Claudio Angelo, o Observatório do Clima divulgou a seguinte nota de seu secretário-executivo Carlos Rittl.

São Paulo, 3 de setembro de 2016
China e Estados Unidos deram uma forte sinalização política com a ratificação simultânea do Acordo de Paris. Fazê-lo à véspera da reunião das 20 maiores economias do mundo é uma demonstração de liderança e deve colocar outros grandes poluidores sobre pressão para acelerar seu processo de ratificação. A entrada em vigor do Acordo de Paris este ano, considerada muito difícil ao final da COP21, passa a ser uma potencial realidade. A Índia já indicou que ratificaria o Acordo ainda este ano. Esperamos ver nos próximos dias a aguardada ratificação do Brasil, que deveria ter acontecido no começo desta semana e acabou refém da crise política.
Antes tarde do que nunca, já que EUA e China foram os principais responsáveis pelo fracasso da conferência de Copenhague, que deveria ter-nos dado um acordo do clima global sete anos atrás. O anúncio dos dois maiores emissores, porém, é apenas um passo para tirar o Acordo de Paris do papel. É preciso agora começar a falar sério sobre o grau de ambição das metas de redução de emissões de todos os países do G20, inclusive as brasileiras, que ainda nos levam a um mundo de caos climático.”
Carlos Rittl
Secretário-executivo

 

MEC altera avaliação

O ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE), publicou nesta segunda-feira no Diário Oficial da União a alteração do regimento interno da Comissão Técnica de Acompanhamento da Avaliação (CTAA) dos cursos de graduação das instituições da educação superior, que foi nstituída em maio de 2006. O regimento já havia sido alterado pelo então ministro Aloizio Mercadante (PT-SP) em maio deste ano (ver portaria).  Ainda não pude avaliar as alterações, mas desde já informo a nova portaria, publicada hoje.

 

Integridade na pesquisa

O 4º Encontro Brasileiro sobre Integridade na Pesquisa e Ética na Ciência e em Publicações (BRISPE, na sigla em inglês) será realizado de 17 a 18 de novembro em Goiânia, no campus da Universidade Federal de Goiás (UFG). O tema do evento será “Integridade científica: o papel dos orientadores, editores e financiadores”. O programa é apoiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Confira a programação no site do Brispe.

 

Sem respostas da Unicamp e da USP

Direto da Ciência ainda não recebeu nenhuma resposta da Unicamp, da AES Tietê S/A nem dos professores da universidade que foram executores do projeto a que se referiu a reportagem Dinheiro para pesquisa da Unicamp foi pago a empresa de professores”, publicada em 24 de agosto. Os dois professores também foram citados na reportagem “Docente da USP foi aprovado por sócios em concurso público e em doutorado”, publicada em 11 de agosto, para a qual também não houve até agora nenhum esclarecimento da USP sobre se a universidade havia sido informada acerca dos fatos relatados e se tomou alguma medida cabível.

 

Destaques na internet

Nas últimas semanas Direto da Ciência concentrou seu trabalho em muitas atividades externas de apuração, que nos impediram de publicar nossa seleção de artigos, reportagens e outros textos publicados on-line. Segue a seleção desde sexta-feira (2/set).

 

Agência Gestão de CT&I

Amazônia Real

Blog do Pedlowski

O Estado de S. Paulo

Folha de S.Paulo

O Globo

Jornal da Ciência (SBPC)

The New York Times

Observatório do Clima

Retraction Watch

Valor Econômico

 

Na imagem acima, o presidente Michel Temer em foto oficial com os lideres do Brics, em Hangzhou, na China, ontem (domingo, 4/ago/2016). Foto: Beto Barata/Presidência da República/Divulgação.


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