Criticado por atraso, governo nomeia novo diretor do Inpe

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

Após a repercussão na comunidade científica da reportagem “Inpe aguarda posse de novo diretor há 4 meses; pesquisadores se queixam”, da Folha, e do artigo “Em atrasos do governo, como o da sucessão no Inpe, quem paga somos nós”, de Direto da Ciência, ambos veiculados ontem (21/set), a Casa Civil da Presidência da República finalmente desengavetou a documentação enviada em 16 de junho pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e publicou no Diário Oficial da União nesta quinta-feira o decreto de nomeação do físico e engenheiro Ricardo Magnus Osório Galvão para o cargo de diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos (SP).

Além de prejudicar o andamento de trabalhos do Inpe, a demora na nomeação estava gerando a desconfiança de desprestígio do ministro Gilberto Kassab (PSD-SP), do MCTIC, perante a Casa Civil, cujo ministro-chefe é Eliseu Padilha (PMDB-RS).

Galvão foi escolhido por Kassab em junho a partir da lista tríplice entregue ao ministério em 27 de abril, contendo também os nomes de Galvão e dos pesquisadores César Celeste Ghizoni e Thelma Krug.

Os três nomes foram escolhidos pelo comitê de busca instaurado pelo ministério. Seus componentes foram Marco Antonio Raupp, ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação e ex-diretor do Inpe, Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Rogério Cezar de Cerqueira Leite, professor emérito da Unicamp e presidente do Conselho de Administração do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Luiz Bevilacqua, ex-presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) e professor emérito da UFRJ, e o tenente-brigadeiro-do-ar Reginaldo dos Santos, dirigente pelo lado brasileiro da Alcântara Cyclone Space (ACS), empresa binacional brasileiro-ucraniana em fase de extinção, vinculada ao MCTIC.

 

Carreira

Galvão já trabalhou como pesquisador sênior do Inpe de 1986 a 1990. Membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), ele também foi presidente da Sociedade Brasileira de Física (SBF) de julho de 2013 a junho deste ano, quando deixou seu segundo mandato (2015-2017) não só para se desincompatibilizar e assumir a direção do Inpe, mas também para facilitar o prosseguimento dos trabalhos da entidade.

Formado em engenharia de telecomunicações pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 1969, ele concluiu seu mestrado em engenharia elétrica pela Unicamp em 1972 e seu doutorado em física de plasmas aplicada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, em 1976.

De volta ao Brasil, Galvão trabalhou na Unicamp até 1982 e, em seguida, no Instituto de Física da USP, onde se tornou livre-docente em física experimental em 1983. No mesmo período, foi também chefe da Divisão de Física Teórica do Centro Tecnológico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos (1982-1986).

A área de atuação do novo diretor do Inpe tem ênfase em física dos fluídos, física de plasmas e descargas elétricas. Seu currículo Lattes indica autoria e co-autoria em 208 artigos publicados em periódicos indexados em bases de dados internacionais. Galvão também é membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e membro do Conselho da Sociedade Européia de Física.

 

Sem seleção de destaques

Além de viagens deste editor, nas últimas semanas Direto da Ciência tem se concentrado em atividades de apuração de informações, inclusive externas para reportagens. Por essa razão, não têm sido possíveis as publicações diárias de colunas nem da seleção de destaques da internet. Agradecemos antecipadamente pela compreensão.

 

Na imagem acima, o físico e engenheiro Ricardo Magnus Osório Galvão, professor titular do Instituto de Física da USP, membro da Academia Brasileira de Ciências e presidente da Sociedade Brasileira de Física, escolhido pelo governo para o cargo de diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Imagem captada do vídeo “A Ciência que Eu Faço – Ricardo Magnus Osório Galvão”, do YouTube.


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