Capes atrasa prêmio e separa filosofia e teologia. E a demissão no ambiente em SP

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

Os dois estudos ganhadores do Prêmio Capes-Natura Campus de Excelência na Pesquisa, que deveriam ter sido anunciados em junho, só serão divulgados em novembro, apesar de já terem sido definidos em maio pela comissão julgadora. O prêmio é uma parceria entre a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão do MEC, e a indústria de cosméticos Natura. As razões do atraso, seu efeito prejudicial segundo pesquisadores e outras informações estão em minha reportagem “Capes segura desde junho divulgação de pesquisas ganhadoras de prêmio”, publicada hoje em parceria de Direto da Ciência com o UOL.

 

Filosofia e teologia separadas

Um das 48 áreas de avaliação da Capes, a de Filosofia e Teologia, acaba de ser dividida em duas novas áreas, conforme portaria publicada ontem (quinta, 13/out) no Diário Oficial da União pela presidência da agência. A decisão foi tomada no dia 6 em reunião do Conselho Superior do órgão. Pelo que conheço no âmbito da filosofia acadêmica no Brasil e do pouco contato que tenho com professores e pesquisadores de teologia, tudo indica que a divisão será bem-vinda para os dois lados.

 

‘Reivindicação antiga’

Questionada por Direto da Ciência sobre as razões da divisão, a Capes enviou a seguinte resposta.

A criação das áreas de Filosofia e Teologia atende a uma reivindicação muito antiga dessas áreas que, desde a criação, funcionaram como grupos separados com seus códigos, próprios, comissões, documentos, etc, mas sob a égide de uma única área de avaliação. A nova gestão da Capes, em nome do presidente Abílio A. Baeta Neves, atendeu a essa antiga solicitação e a proposta foi acatada pelo Conselho Superior.

 

Aproveitando a boa vontade

Já que a Capes se mostrou sensível a uma antiga reivindicação acadêmica, vale a pena lembrar que não são poucas as críticas relativas a critérios de avaliação feitas por professores e pesquisadores de filosofia. Para citar apenas uma, e das mais recentes, destaco “Sobre o Qualis Periódicos 2015 – Filosofia”, de Marco Zingano, professor do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo. Segue um trecho desse artigo.

Custa crer, mas é preciso repetir, e várias vezes, que uma revista é boa porque os artigos são bons e não o contrário. Em última instância, avaliar uma revista consiste em avaliar seus artigos. Como o número de artigos e revistas é muito grande, podemos conceber mecanismos para facilitar essa avaliação, mas nunca podemos perder de vista que uma revista é boa porque seus artigos são bons. Isso parece um truísmo, mas não o é, pelo menos não para aqueles que se espojam nos metadados.

 

Teses premiadas

Ainda sobre a Capes e seus prêmios, nesta semana a agência divulgou os trabalhos ganhadores da edição de 2016 do Prêmio Capes de Tese. Seria a primeira vez em que todas as teses inscritas para concorrer teriam resultado na publicação de artigo em periódico, como previa a alteração feita em maio pelo então presidente da Capes, Carlos Nobre, no regulamento do prêmio. Logo após sucedê-lo, Baeta Neves desfez isso. Voltar a ser como era parece ter sido bom para as humanidades, como mostrei na reportagem “Capes retira exigência de artigo científico para Prêmio de Tese”. Mas, ao que tudo indica, foi um retrocesso para as hard sciences.

 

Saída a pedido… de quem?

Como havia revelado a reportagem “Após anúncio de mudança da Fundação Florestal, diretor pede demissão”, da jornalista Giovana Girardi, no Estadão, Paulo Santos de Almeida, dirigente do órgão, decidiu sair. Na verdade, o que parece é que foi “convidado” a tomar essa decisão pelo novo secretário estadual do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que na entrevista apontou razões para a saída que, afinal de contas, são muito mais suas do que do então demissionário. “A Fundação Florestal precisa de um gestor, ele é professor e entendeu que não teria o perfil que estamos procurando”, disse o secretário sobre Almeida, professor da USP Leste, designado em março para o cargo pelo próprio governador Geraldo Alckmin (PSDB).

 

Quem pode aceitar?

Hoje o Diário Oficial do estado publicou resolução do secretário Salles “dispensando, a pedido” Almeida da Fundação Florestal. Além de não remeter a nenhum dispositivo como suporte legal, o ato não parece estar em conformidade com o estatuto da FF, cujo artigo 16 define a competência do governador para designar o dirigente da entidade. Pedi explicações sobre isso à Secretaria do Meio Ambiente, que respondeu: “Por se tratar de pedido, o secretário pode aceitar”. Enquanto isso, o governo Alckmin está às voltas com a escolha de um quarto diretor executivo para a FF em menos de dois anos da gestão iniciada no ano passado.

 

Na imagem acima, tela do sistema de acesso on-line ao cadastramento de dados para o Prêmio Capes-Natura Campus. Imagem: Capes/Reprodução.


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