O legado de ‘Uma Breve História do Tempo’

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

A edição desta quinta-feira (5) da revista científica britânica Nature traz um interessante artigo sobre as expectativas em 1988 com o lançamento do livro “Uma Breve História do Tempo”, do físico teórico britânico Stephen Hawking e também sobre o impacto dessa obra no mercado editorial e na opinião pública. Para a autora do artigo, Elizabeth Leane, graduada em física e em literatura inglesa e professora da Universidade da Tasmânia, na Nova Zelândia,

deixou um legado importante para a ciência popular: um novo sentido para o capital cultural de idéias científicas. A partir da década de 1990, o espaço em folhas de papel dedicado aos textos literários abriu-se para os científicos. Divulgadores começaram a falar regularmente em festivais culturais. Prêmios de livros de ciências foram inaugurados, financiados e apoiados. As vidas de cientistas e matemáticos se tornaram assuntos propícios para filmes comerciais, como “Uma Mente Brilhante” (2001), de Ron Howard, sobre o matemático John Nash; “O jogo da imitação” (2014), biografia do pioneiro computação Alan Turing; e, certamente, “A Teoria de Tudo”.

Em 2013 o livro de Hawking superou a marca dos 10 milhões de exemplares vendidos. Cássio Leite Vieira, físico e melhor jornalista do Brasil sobre assuntos de física, especialmente de física teórica, que deu ontem a sugestão de leitura para colegas da imprensa da área de ciência, comentou:

Em minha modesta opinião, isso se deu quando os editores perceberam que, se ‘um livro de ciência que ninguém entendia’ podia ser um best-seller, o que dizer, então, de um (também de ciência) que as pessoas normais pudessem entender?
Acho que foi nesse momento que vários ‘science writers’ entraram no mercado editorial da divulgação científica, bem como outros cientistas (Paul Davies, John Gribbin etc.).

 

Desafios da divulgação sobre o clima

(…) existe uma clivagem maluca nas redações, onde jornalistas que denunciam ameaças aos direitos humanos ganham prêmios, enquanto jornalistas que denunciam ameaças à estabilidade climática são tachados de ‘militantes’.

A afirmação acima é do jornalista Claudio Angelo, do Observatório do Clima, autor de “A Espiral da Morte”, um dos melhores livros de divulgação científica de 2016. Essa e outras considerações críticas desse profissional de imprensa com larga experiência na cobertura de ciência e meio ambiente estão em sua entrevista, publicada ontem, quarta-feira (4) por Alexandre Mansur no Blog do Planeta, da revista Época. Confira em “Vale usar o calor do verão para lembrar do aquecimento global?”.

 

Manifesto Cósmico

Mario Novello, professor emérito do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro, homenageado em 2010 pela comunidade científica internacional com o I Symposium Mario Novello on Boucing Models, publicou em dezembro na revista eletrônica Cosmos & Contexto seu “Manifesto Cósmico”. Segue um dos trechos.

No passado, as religiões olhavam para os céus e de lá traziam verdades e leis rígidas a serem seguidas. Seus sacerdotes possuíam o poder como consequência de seu saber ao intermediar o homem e o universo. Agora, que a ciência se apoderou do saber sobre o universo foi possível dispensar os antigos intermediários. No entanto, não deveríamos substituir antigos sacerdotes por novos. Não deveríamos trocar sacerdotes por cientistas para exercer essa função.

Essa e outras reflexões estão no “Manifesto Cósmico”.

 

Destaques na internet

Seleção de artigos, reportagens e outros textos publicados on-line desde a coluna de ontem.

 

Agência Fapesp

Blog do Pedlowski

Copy, Shake and Paste

O Eco

Época

Folha de S.Paulo

G1

O Globo

InforMMA

Jornal da Ciência (SBPC)

Lúcio Flávio Pinto

Nature

Nature News

The New York Times

Nossa Ciência

  • Responsabilidade social dos cientistas – Criadora da Caravana da Ciência, em Alagoas, afirma que cientistas têm obrigação de fazer divulgação científica
    Mônica Costa & Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal)

Observatório do Clima

  • Corrente do Golfo pode parar, diz estudo – Novo modelo mostra que esteira oceânica que transporta calor à Europa é mais vulnerável ao aquecimento global do que se imaginava, mas só pararia em séculos não de anos; Brasil seria afetado
    Claudio Angelo

Retraction Watch

The Scholarly Kitchen

Science

UOL

 

Na imagem acima, o físico britânico Stephen Hawking, autor de “Uma Breve História do Tempo”, em Cambridge (Reino Unido), em 2008. Foto: Doug Wheller, sob licença Creative Commons Attribution 2.0 Generic, via Wikimedia Commons.


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2 Comentários

  1. CASSIO VIEIRA said:

    O jornalista Claudio Angelo tem razão. Gostaria de chamar atenção para outra clivagem semelhante: os jornalistas de ciência são os únicos nas redações a terem um ‘segundo título’: divulgadores da ciência. Chama a atenção não haver o ‘divulgador de polícia’; o ‘divulgador de imóveis’; ‘divulgador de economia’ etc. Confesso que o título me irrita. Quando dizem que sou divulgador da ciência, respondo mais ou menos assim: “Sou jornalista da área de ciência e, sempre que posso, critico essa cultura e suas personagens, como o fazem, em suas áreas, os jornalistas de política, economia etc.. Divulgação (fôlderes, exposições, livros, panfletos, filminhos etc.) eu faço como hobby ou para pagar as contas.” A divulgação científica virou um tipo de religião cujos seguidores — não raramente jornalistas malsucedidos –, em vez da faca amolada, carregam apenas a fé cega numa cultura que tem em si muitos males — são garotos-propaganda dela. “Alfabetização científica” virou uma ladainha. Ninguém fala em “alfabetização artística”, “poética”, “literária”, “histórica”, “linguística” etc. Por vezes, a visão mais sem graça do mundo é a da ciência.

    • Claudio Angelo said:

      Cássio! Saudades da sua faca amolada. Você é uma das poucas razões que me levam a lamentar não frequentar mais o Facebook. Assino embaixo.

Comentários encerrados.

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