O Trump do Tucanistão

Secretário do Meio Ambiente de Alckmin se destaca por se indispor com ambientalistas, pesquisadores e o Ministério Público


MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

O secretário ambiental paulista, Ricardo Salles (PP), está conseguindo com seu “estilo Trump” ser notícia frequente. Depois de entrar em confronto com o Ministério Público, que instaurou contra ele dois inquéritos por improbidade, o titular da Secretaria do Ambiente do Estado (SMA) também já se indispôs com ambientalistas e foi acusado pesquisadores da USP de “desrespeito e falta de ética”. Em compensação, na semana passada, Salles, fundador do Movimento Endireita Brasil e ex-secretário particular do governador Geraldo Alckmin (PSDB), já havia sido elogiado pelo blogueiro Rodrigo Constantino.

 

Chuchu é agro

A solidariedade a Ricardo Salles apareceu hoje na coluna “Direto da Fonte”, no Estadão, envolvendo o nome de Alckmin.  Ao transmitir para Marcelo Vieira o cargo de presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB) na segunda-feira (27), Gustavo Junqueira, em seu discurso, elogiou a “coragem e visão” do governador tucano na escolha de Salles, “mudando o rumo de São Paulo”, segundo o texto “Secretário de Alckmin ganha reforço do setor rural”, da jornalista Sonia Racy. Como assim, “ganha reforço”? Salles foi diretor jurídico da SRB. E já havia sido apoiado explicitamente por Junqueira em novembro, quando a SMA decidiu manter sob sigilo os nomes de proprietários do Cadastro Ambiental Rural.

 

Uso exclusivo para programas

O Qualis só existe como ferramenta para a avaliação de programas de pós-graduação brasileiros, afirma a Coordenação de Pessoal de Nível Superior (Capes) em nota publicada ontem, terça-feira (28), no site do órgão, referindo-se-se à plataforma Quais Periódicos. O texto divulga o artigo “Dez coisas que você deveria saber sobre o Qualis”, da diretora de Avaliação da agência federal, Rita de Cássia Barradas Barata, publicado na Revista Brasileira da Pós-Graduação. “Estar ou não na lista do Qualis significa tão somente que algum dos alunos ou professores dos programas credenciados publicaram artigos naqueles periódicos”, diz a diretora no artigo.

 

“Tá no Qualis!”

Nesse artigo faltou apenas a diretora de Avaliação da Capes “combinar com os russos”. Basta um periódico qualquer constar no Qualis, mesmo com “C”, a mais baixa classificação, para que ele seja considerada aceitável por professores e pós-graduandos para a publicação de seus artigos. “Tá no Qualis!” tem sido a alegação para isso por parte de muitos acadêmicos. Se a Capes não eliminar dessa plataforma os periódicos predatórios e outros que aceitam lixo acadêmico, suas advertências continuarão sendo inócuas.

 

Magníficos se estranharão?

Reitor da Unesp desde janeiro deste ano, Sandro Roberto Valentini, começará no próximo sábado seu mandato de dois anos como presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Durante sua campanha para as eleições à lista tríplice enviada ao governo, em que obteve 44,43% dos 42.419 votos válidos no primeiro turno e 57,65% dos 42.457 votos válidos no segundo turno, ele disse que pretende provocar discussões sobre temas sensíveis no colegiado. Muito antes, em fevereiro de 2015, em seu artigo “USP, Unicamp e Unesp precisam superar seus estranhamentos”, na Folha, ele criticou o colegiado, afirmando que seu “princípio de decisão consensual se perdeu ao longo do tempo, fragilizando a força do conjunto”. E, referindo-se à gestão de João Grandino Rodas (2010-2013), na USP, ele disse também que

(…) ajudaram no agravamento da crise financeira decisões isoladas, especialmente da USP, sobre abonos salariais, promoção dos servidores técnico-administrativos e implantação e detalhamento de sua carreira, bem como sobre o teto salarial de todos que trabalham nas três universidades.

 

Pegadas deixam rastros

A notícia da descoberta na Austrália das maiores pegadas de dinossauros já encontradas reforçou um padrão da cobertura jornalística brasileira na área de paleontologia. Artigos e reportagens escritos por jornalistas especializados em ciência usam o termo “paleontólogo” para designar o pesquisador dessa especialidade, enquanto para essa mesma finalidade textos de agências internacionais quase sempre usam “paleontologista”, praticamente como tradução automática ou não especializada do vocábulo inglês “paleontologist”. Não dá para dizer está errada a segunda forma, que é apenas adjetivo segundo o Aurélio e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, pois a palavra é dicionarizada também como substantivo pelo Houaiss. Mas é bom prestar atenção ao uso demasiadamente frequente dessa expressão e de “ornitologista”, “antropologista” e algumas outras de terminação semelhante, que pode indicar falta de jornalistas familiarizados com ciência.

* O link do blog citado não está indicado devido ao fato de Direto da Ciência não compactuar com a disseminação de desinformações em ciência e meio ambiente.

Na imagem acima, o secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Ricardo de Aquino Salles (SP), durante sessão da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa em agosto de 2015. Foto: Maurício Garcia de Souza/Alesp – Agência de Notícias.

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