Novo primeiro-ministro da Romênia perdeu doutorado por causa de plágio

Mihai Tudose, que assumiu o cargo em maio, renunciou ao título acadêmico em julho do ano passado


MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

Nomeado em 29 de junho pelo presidente Klaus Iohannis, da Romênia, Mihai Tudose, novo primeiro-ministro, renunciou a seu doutorado em julho do ano passado, quase um ano após ter sido acusado de ter plagiado cerca de um terço do conteúdo de sua tese, defendida em 2010.

Esse ponto negativo no currículo do premiê teve pouca repercussão na imprensa, apesar de ter sido destacado pelo New York Times no mesmo dia em que ele assumiu o cargo. A informação apareceu novamente neste sábado no post semanal de sugestão de leitura do blog Retraction Watch.

Tudose apresentou sua tese “Infraestrutura crítica – Modelo de gestão e estratégia” à Academia Nacional de Informação, em Bucareste, uma instituição de ensino superior vinculada ao órgão de inteligência Serviço Romeno de Informação. Em julho do ano passado, ele e outros oito funcionários do governo e advogados renunciaram a seus doutorados após serem apontadas evidências de plágio em suas teses a essa mesma faculdadeo.

O novo premiê romeno estava respondendo pelo Ministério da Economia, Comércio e Turismo desde fevereiro. Antes, ele já havia comandado a mesma pasta de dezembro de 2014 a novembro de 2015. Deixou o  cargo quando houve a queda do gabinete do primeiro-ministro Victor-Viorel Ponta após o grande protesto popular em Bucareste contra o governo no dia anterior ao incêndio com 64 mortes da discoteca Colectiv, na capital romena.

O deputado Liviu Dragnea, líder do partido PSD, majoritário no Parlamento, não pôde ser nomeado primeiro-ministro por ter uma condenação na Justiça por improbidade. Pelo jeito, ao escolher Tudose o Legislativo romeno não se incomodou com a corrupção acadêmica. O país, assim como o Brasil, vive uma grave crise política devido a acusações e processos judiciais por corrupção.

 

Aqui no Brasil

Em fevereiro foi notícia no Brasil o uso de trechos originários de sentenças do Tribunal Constitucional da Espanha, traduzidos para o português, sem nenhuma referência de onde foram extraídos, em dois livros do então ministro da Justiça e Segurança Pública, Alexandre de Moraes, hoje ministro do STF: “Direitos Humanos Fundamentais” e “Direito Constitucional”, ambos de 1997 (“Moraes também fez cópias em outro livro e desconversa sobre ‘má conduta científica’”).

As citadas decisões da Suprema Corte espanhola constam na obra “Derechos Fundamentales y Principios Constitucionales”,  publicada em 1995 pelo jurista espanhol Francisco Rubio Llorente (1930-2016).

O quadro a seguir compara trechos de “Direito Constitucional”, de Moraes, com as sentenças do Tribunal Constitucional da Espanha de números 75/198353/1985120/1990 e 308/1994(Clique na imagem para ampliá-la em outra aba ou janela do navegador).

Questionado em fevereiro por meio de sua assessoria de imprensa no ministério sobre essas transcrições e sobre a definição de má conduta-científica, Moraes respondeu por meio de nota, cuja íntegra está transcrita a seguir.

O livro traz análises e comentários relativos ao Direito e à Constituição Brasileira. Todas as citações do livro constam da bibliografia anexa à publicação.

Moraes é professor da Faculdade de Direito da USP desde 2002. Nem a faculdade nem a universidade se pronunciaram publicamente sobre o assunto.

Na imagem acima, o primeiro-ministro da Romênia, Mihai Tudose, em seu gabinete em 29 de junho, dia em que assumiu o cargo. Foto: Governo da Romênia/Divulgação.

 


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