Ricardo Salles deixa a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo

Ex-secretário particular de Alckmin vinha sendo desgastado por inquéritos de improbidade administrativa


MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

Nomeado em julho do ano passado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), o secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Ricardo Salles, deverá deixar o cargo ainda nesta segunda-feira. Pressionado por seu partido, o PP, ele pediu demissão no dia 7 ao governador. Como sucessor, o Palácio dos Bandeirantes confirmará nesta noite o economista Maurício Brusadin, também do PP.

A permanência de Salles na Secretaria do Meio Ambiente (SMA) foi desgastada principalmente desde o início deste ano, quando ele passou a ser investigado pelo Ministério Público estadual em inquéritos civis de improbidade administrativa. O secretário de Alckmin se tornou réu em uma ação civil pública sob a acusação de ter alterado ilegalmente o zoneamento da proposta de plano de manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê.

No início de agosto, o MP abriu inquérito por Salles ter dado andamento a uma proposta de negociação do imóvel da sede do Instituto Geológico, na capital, apesar de parecer de sua própria Consultoria Jurídica que considerou a iniciativa “de risco inaceitável” para o estado. Em outro inquérito, o secretário passou a ser investigado por ter realizado chamamento público, sem autorização legislativa, para a concessão ou venda de 34 áreas do Instituto Florestal. As duas iniciativas do secretário foram reveladas por Direto da Ciência.

 

Contratações de políticos

Salles também foi constantemente criticado por pesquisadores e por ambientalistas por tomar decisões sem levar em consideração aspectos técnico-científicos e por terem sido feitas pela SMA contratações de políticos para chefias de unidades de conservação, entre outros motivos.

Sua saída do cargo passou a ser esperada desde junho, quando a coluna Expresso, da revista Época, publicou a nota “Alckmin demitirá secretário do Meio Ambiente”. A nota afirmou que, preocupado com a disputa presidencial de 2018, o governador recomendou ao deputado federal Guilherme Mussi, presidente estadual do PP em São Paulo, para indicar outro integrante de seu partido para o cargo. No ano passado, Salles começou a aparecer em vídeos de propaganda político-partidária do PP.

Na sexta-feira (25), a coluna Direto da Fonte, do Estadão, afirmou que Salles estava “sendo alvo de fogo amigo dentro do seu próprio partido, o PP”.

 

Troca de cadeiras

O sucessor de Salles, o economista Maurício Brusadin, é mestre em engenharia urbana pela Unesp e especialista em marketing político e redes sociais. Antes de se filiar ao PP, militou no PV, do qual foi presidente do estadual.

Brusadin é parceiro em trabalhos de consultoria de Xico Graziano, que foi chefe do gabinete pessoal de Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República, secretário do Meio Ambiente do estado na gestão de José Serra (2007-2010) e da Agricultura e Abastecimento no governo de Mário Covas.

Também deixará seu cargo na SMA o secretário-adjunto Antonio Velloso Carneiro. Na secretaria circulou, como sendo de seu substituto, o nome de Ubirajara Guimarães, que foi chefe de gabinete da pasta durante a gestão de Graziano. [Atualização:] nesta terça-feira, Eduardo Trani, coordenador de Planejamento Ambiental, confirmou a funcionários da SMA que será o sucessor de Velloso.

 

‘Missão cumprida’

Ricardo de Aquino Salles é advogado e foi secretário-particular de Alckmin de 2013 a 2014. Ele e Velloso são amigos e foram parceiros em 2007 na fundação do Movimento Endireita Brasil. A agremiação político-ideológica foi criada para “corrigir” o que chamou de “demonização da direita no Brasil” (“Jovens de São Paulo fundam grupo para ‘endireitar’ o país”, Folha de S.Paulo, 14/mar/2011).

Na carta de demissão, Salles e Velloso afirmaram considerar sua missão cumprida. Eles disseram terem pautado a gestão da SMA “pela busca incessante da desburocratização, simplificação e racionalização da máquina administrativa, sempre com estrita observância da legislação ambiental e em defesa da sustentabilidade”.

A reportagem não conseguiu contactar Ricardo Salles.

Na imagem acima, o advogado Ricardo Salles, secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e ex-secretário particular do governado Geraldo Alckmin. Foto: Pedro Calado/SMA/Divulgação.

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9 Comentários

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  2. Gato said:

    Graças à Deus! Foi uma terrível eternidade… Porém, naturalmente haverá regeneração após a destruição causada…

  3. Roger Guimarães said:

    Mauricio Tuffani, você acha que o que vem é melhor?

    • Maurício Tuffani said:

      Obrigado, Eduardo. O problema é que Salles não é mais secretário, esse assunto não é da área temática de Direto da Ciência, e o fato a ser julgado é anterior à nomeação dele como secretário.

  4. Fernando said:

    Já vai tarde! Mas pelo nível dos substitutos o meio ambiente estadual seguirá na rota de barganha de cargos nos parques estaduais, conveniência política e defesa do interesse de empresários em detrimento ao foco original no MEIO AMBIENTE!

  5. Jose Silva said:

    Que venham tempos de Justiça pois tudo o mais depende disso e é o que o Brasil mais precisa.

  6. KATIA MAZZEI said:

    Que venham tempos de paz, de diálogo, de bom planejamento ambiental, de investimentos em projetos de longo prazo.

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