Cientista iraniano tem duas semanas para recorrer contra pena de morte

Anistia Internacional afirma que houve ‘julgamento extremamente injusto’ e ‘total desprezo pelo estado de direito”


MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

Quase esquecido pela imprensa internacional desde que foi condenado à morte em fevereiro, no Irã, sob a acusação de conspirar contra a segurança nacional e conspirar com “países inimigos”, Ahmadreza Djalali, pesquisador em medicina de desastres, recebeu no final da semana passada (21) a confirmação da sentença e prazo de 20 dias para recorrer contra a ordem de execução. A informação foi dada por sua esposa e por fontes diplomáticas na Itália, segundo o portal da revista Nature.

Residente em Estocolmo na Suécia, onde trabalhava no Instituto Karolisnka, Djalali foi preso no Irã em abril do ano passado, quando fazia uma visita acadêmica ao Irã, país onde nasceu. O pesquisador era vinculado também ao Centro de Investigação em Emergência e Medicina de Desastres da Universidade do Piemonte Oriental, em Novara, na Itália, e à Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica.

“Ahmadreza Djalali foi condenado à morte após um julgamento extremamente injusto, que mais uma vez expõe não só o firme empenho das autoridades iranianas em usar a pena de morte, mas também seu total desprezo pelo estado de direito”, afirmou Philip Luther, diretor da Anistia Internacional para o Oriente Médio e África do Norte.

“Nenhuma evidência foi até agora apresentada para mostrar que ele é qualquer outra coisa além de um acadêmico que trabalha pacificamente em sua profissão. Se ele foi condenado e sentenciado por exercer pacificamente seus direitos à liberdade de expressão, associação e reunião, inclusive através do seu trabalho acadêmico, as autoridades devem liberá-lo de imediato e incondicionalmente e soltar todas as acusações contra ele”, disse Luther em uma nota divulgada na segunda-feira (23) pela Anistia Internacional.

Abbas Jafari-Dowlatabadi, promotor em Teerã, em uma reunião de autoridades judiciais na terça-feira (24), afirmou que um “condenado” havia fornecido “endereços e detalhes de 30 pessoas importantes envolvidas em projetos de pesquisa, militares e nucleares” para a agência israelense de inteligência Mossad, segundo a BBC News.

Colegas de Djalali negaram as acusações contra ele. “Nenhum de nossos projetos de pesquisa compartilhados teve parceiros em Israel e não tenho conhecimento de nenhuma transferência de dinheiro de Israel para Djalali”, disse Luca Ragazzoni, pesquisador que trabalhou com Djalali de 2012 a 2015da Universidade do Piemonte Oriental, informou a Nature.

Djalali acredita que foi preso por ter se recusado a espionar o serviço de inteligência iraniano, segundo um documento que seria uma transcrição literal de um manuscrito seu que teria sido transcrito por uma fonte não revelada. Segundo o documento, em 2014 dois representantes do serviço de inteligência iraniano tentaram recrutar Djalali, que afirmou ter se recusado.

O documento afirma também que Djalali foi forçado a fazer falsas confissões após “múltiplas torturas psicológicas e físicas”. “Nunca agi contra meu país, nunca espiei por Israel ou por qualquer outro país. Minha única culpa foi não ter aceitado usar a confiança dos meus colegas e universidades na União Europeia para espionar para os serviços de inteligência do Irã “, diz o texto.

Na manhã desta quinta-feira (26) já contava com mais de 245 mil adesões um abaixo-assinado na Change.org endereçado ao presidente do Irã, Hassan Rouhani, e a outras autoridades do país.

Na imagem acima, Ahmadreza Djalali, pesquisador do Instituto Karolinska, em Estcolmo, na Suécia, ligado também ao Centro de Investigação em Emergência e Medicina de Desastres da Universidade do Piemonte Oriental, em Novara, na Itália, e à Universidade Livre de Bruxelas, preso desde abril de 2016 no Irã e condenado à morte. Foto: Universidade Livre de Bruxelas/Divulgação.

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