Reportagem da Globo sobre febre amarela faz menções inadequadas a macacos

Cobertura jornalística sobre a doença deve evitar referência a animais sem esclarecer que eles não são transmissores do vírus.

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

Uma reportagem apresentada nesta quarta-feira (21) pelo telejornal SPTV 1ª Edição, da TV Globo, é um exemplo do que a imprensa deve evitar de fazer na cobertura do surto de febre amarela. Ao anunciar a contaminação de uma mulher que não viajou nos últimos meses como o primeiro caso conhecido como autóctone da doença em Guarulhos, na Grande São Paulo, a reportagem desnecessariamente se referiu ao bairro Parque Primavera como “uma área de mata, e que tem bastante macacos”.

Sem esclarecer que o vírus da febre amarela não é transmitido por macacos, a reportagem “Prefeitura de Guarulhos confirma primeiro caso de Febre Amarela contraído na cidade”, com 3 minutos e 44 segundos de duração, não só fez duas vezes a menção à área de mata com macacos (a partir de 0:50 e de 1:30), mas também apresentou um cidadão um morador da região afirmando que “o macaco ‘tá’ bem próximo da gente, porque as matas estão ‘tudo’ aqui” (a partir de 1:44).

As Organizações Globo têm feito um trabalho jornalístico importante de conscientização sobre a febre amarela, inclusive sobre as falhas e omissões do poder público na prevenção da doença, especialmente pelo jornal O Globo. No entanto, em meio a tantos casos de mortes de macacos provocadas por pessoas mal informadas, menções aos bichos como as dessa reportagem do SPTV deveriam ser evitadas.

Por outro lado, ainda hoje, pela manhã, o programa Bom Dia Rio, também da Globo, apresentou a reportagem “Rio lança campanha contra a morte de macacos”, informando a campanha da Secretaria da Saúde do Estado do Rio de Janeiro para conscientizar população que “primatas são grandes aliados na detecção da febre amarela”.

A reportagem do Bom Dia Rio destacou também que segundo a subsecretária de Vigilância Sanitária do Rio Márcia Rolim, 170 macacos e micos foram encontrados mortos no Rio, de um total de 325 em todo o estado, sendo que mais da metade foram mortos por espancamento, envenenamento ou queimaduras. E acrescentou:

E o número aumentou. Só nesta última semana foram encontrados mortos 40 macacos. É um absurdo que em 50 dias mais de 300 animais tenham sido mortos. O macaco é um importante bloqueio para a febre amarela. Eles nos protegem inconscientemente e nós, humanos, o matamos conscientemente”, lamentou Márcia, destacando que quem transmite a febre amarela é o mosquito.

Ainda há tempo de a TV Globo consertar o erro.

Na imagem acima, captura de tela da reportagem “Prefeitura de Guarulhos confirma primeiro caso de Febre Amarela contraído na cidade”, do telejornal SPTV 1ª Edição, da TV Globo.

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