Cúpula Global da Califórnia desafia a política climática de Trump

Governos municipais e regionais de várias partes do mundo se reúnem em San Francisco para discutir ações conjuntas

FÁBIO DE CASTRO

A Cúpula Global de Ação Climática começa nesta quarta-feira (12), em San Francisco, nos Estados Unidos, em um desafio lançado por governadores, prefeitos e empresários do país às políticas climáticas do presidente Donald Trump, do Partido Republicano.

O evento de três dias reunirá cerca de 4.500 delegados de várias partes do mundo ligados a governos municipais e regionais, indústrias e instituições de pesquisa, segundo os organizadores. O objetivo é discutir como autoridades locais podem agir em conjunto para mitigar emissões de gases de efeito estufa, já que os governos nacionais têm se mostrado lentos em suas ações.

Governos nacionais de mais de uma dezena de países, incluindo China e Reino Unido, também enviarão representantes.

“A Cúpula na Califórnia nesta semana está carregada de simbolismo, já que os Estados Unidos são o único país a anunciar sua intenção de deixar o Acordo de Paris, após decisão do presidente Donald Trump no ano passado”, escreveu a agência Reuters.

“(A Cúpula) pode e deve ser vista como uma resposta à abdicação da liderança do governo federal dos Estados Unidos, que realmente criou um vácuo”, disse à agência Michael Burger, diretor executivo do Centro Sabin para Legislação de Mudanças Climáticas da Universidade Columbia, de Nova York.

O grupo que convocou o evento é liderado pelo governador da Califórnia, Jerry Brown, do Partido Democrata, oposicionista ao governo Trump. Na contramão das políticas climáticas federais, Brown anunciou na segunda-feira (10) que o estado se comprometerá a ter 100% de sua eletricidade obtida a partir de fontes renováveis até 2045, com conversão de ao menos 30% em 2020 e de 60% em 2030.

“Essa lei e a ordem executiva que vou assinar colocarão a Califórnia no caminho para cumprir o Acordo de Paris e ir adiante. Não será fácil e não será imediato, mas precisa ser feito”, disse Brown à emissora de TV norte-americana ABC.

Em julho de 2017, logo após o anúncio feito por Trump de que os Estados Unidos abandonariam o Acordo de Paris, Brown e um grupo de governadores, prefeitos e empresários se uniram para lançar o movimento We Are Still In (“Ainda estamos dentro”) e declarar que continuariam a apoiar, à revelia do governo federal, as ações climáticas necessárias para cumprir as metas do tratado.

Até agora o grupo não teve força suficiente para neutralizar os efeitos do recuo do governo Trump em relação à política climática, mas a Cúpula da Califórnia produzirá um momento crítico para definir se o movimento conseguirá cumprir seu papel, afirma o diário The New York Times“Sim, há pressão”, disse Brown nesta terça-feira (11) ao jornal. Os líderes estaduais e locais “estão levando a bandeira, enquanto os grandes poderes, os caras nacionais, estão um pouco sonolentos.”

 

Clima quente

De acordo com o jornal britânico The Guardian, há protestos planejados para toda a semana da Cúpula em São Francisco, com foco na poluição atmosférica e na desigualdade social que tem afetado o crescimento econômico da Califórnia. No sábado (7), o jornal reportou que dezenas de milhares de norte-americanos participaram de marchas e outros eventos nos Estados Unidos, protestando contra a demora na transição para a energia renovável.

Um dia antes do início da Cúpula de São Francisco, pessoas de todo o mundo já estavam na cidade “trocando ideias e encontrando inspiração”, informou a ABC. Eventos menores serão realizados em paralelo à Cúpula.

Mesmo com a nova lei da eletricidade renovável anunciada pelo governador da Califórnia, “a Cúpula certamente terá protestos”, segundo a ABC. O Departamento de Polícia de San Francisco cancelou todas as folgas dos policiais durante os três dias.

Na imagem acima, a ponte Golden Gate, em San Francisco, na Califórnia, Estados Unidos. Foto: Blake Everett, sob licença Creative Commons CC0 1.0, via Wikimedia Commons.

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