Centro de genômica descarta assédio, discriminação de gênero e corrupção

Investigação rejeitou denúncias contra dirigentes do Instituto Wellcome Sanger, no Reino Unido, mas constatou problemas com diversidade

FÁBIO DE CASTRO

Com base em uma investigação independente, um dos principais centros de genômica do mundo, o Instituto Wellcome Sanger, no Reino Unido, rejeitou as acusações de que seu diretor e alguns dos principais gestores teriam praticado malversação de recursos, assédio moral e discriminação de gênero contra membros de sua equipe.

As acusações foram feitas em agosto por 10 funcionários e ex-funcionários do instituto contra alguns de seus gestores mais antigos, inclusive o geneticista Mike Stratton, diretor do prestigiado centro de pesquisas sobre o genoma humano localizado em Hinxton, na região de Cambridge.

Stratton foi acusado de discriminação de gênero, assédio moral, exploração indevida de trabalhos científicos para fins comerciais e mau uso de verbas de auxílio à pesquisa.

O relatório final sobre a investigação, apresentado no final de outubro (30) no site do instituto, absolve Mike Stratton e os outros membros da diretoria de todas as acusações. “A investigação inocentou os que foram apontados por infrações de todas as acusações”, diz o documento.

 

Falta de diversidade

No entanto, a investigação, conduzida pelo advogado Thomas Kibling, identificou “falhas na maneira como as pessoas foram gerenciadas” e uma “falta de diversidade nos altos níveis da organização”. Dos 33 membros do corpo docente do instituto, apenas sete são mulheres. “Questões de desempenho precisam ser manejadas no futuro com maior transparência, precisam ser documentadas de forma apropriada e com bom senso”, afirma o relatório.

Segundo o jornal britânico The Guardian, a investigação foi desencadeada quando a autora principal da queixa foi demitida do instituto. “O relatório concluiu que a discriminação de gênero não contribuiu para essa decisão, mas que houve falhas da parte de Stratton, que era o gestor da equipe de cientistas, na comunicação da demissão e das razões que a sustentavam”, afirma a reportagem do jornal.

Stratton se desculpou em nota anexada ao relatório publicado pelo instituto. “Eu gostaria de pedir desculpas por falhas na gestão de pessoal que ocorreram e que tiveram efeitos deletérios inesperados sobre indivíduos. O relatório ajudou a identificar várias áreas nas quais podemos melhorar”, disse o diretor.

“Há questões relacionadas a gênero, especialmente o desequilíbrio entre o número de homens e mulheres entre nossos líderes científicos e os desafios encarados pelas mulheres para consolidar suas carreiras científicas. Encontrar uma solução para isso é algo em que estou pessoalmente engajado”, disse Stratton.

 

Diversidade e inclusão

Jeremy Farrar, diretor do Wellcome Trust em Londres, que controla o Instituto Sanger, também se desculpou em nota oficial publicada em anexo ao relatório.

“O Wellcome tornou a diversidade e a inclusão prioridades e, como na maior parte das instituições científicas, ainda há muito o que fazer para cumprir esse compromisso. Essas questões deveriam ter sido reconhecidas e devíamos ter agido mais cedo. Pedimos desculpas por não termos feito isso”, disse Farrar.

No início de 2018, o Wellcome Trust lançou diretrizes pioneiras para erradicar o assédio moral em laboratórios financiados pela instituição, segundo reportagem da revista Nature.

Segundo a revista, os pesquisadores do instituto, inclusive Stratton, tiveram um papel importante no Projeto Genoma Humano e foram responsáveis por desvendar um terço da sequência do DNA humano, completada em 2003. Nenhum dos outros 20 centros de pesquisas envolvidos no projeto deu uma contribuição tão grande.

A equipe de Stratton também foi responsável por identificar, em 1995, o gene da suscetibilidade ao câncer de mama, BCRA2. Stratton dirige desde 2010 Instituto Sanger, que emprega mais de mil cientistas.

Na imagem acima, vista aérea do Instituto Wellcome Sanger, em, Hinxton, na região de Cambridge, no Reino Unido. Foto: Wellcome Sanger Institute/Divulgação.

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