Conselho de SP discute proposta alterada de áreas de proteção ambiental

Divisão motivou suspeita de ter sido feita para facilitar projeto de hidrovia e barragem que podem destruir o Pantanal Piracicabano

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

O Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo (Consema) discute amanhã (13) as propostas de criação das áreas de proteção ambiental (APAs) de Barreiro Rico, de 30 mil hectares, e da Tanquã-Rio Piracicaba, de 14 mil hectares. As propostas foram apresentadas pela Fundação Florestal (FF), órgão da Secretaria do Meio Ambiente do estado (SMA).

A ideia original era criar uma única APA abrangendo as duas áreas. A divisão motivou a suspeita de ter sido realizada para possibilitar a aprovação apenas da APA Barreiro Rico. Para a área da APA Tanquã-Rio Piracicaba – que abriga rica biodiversidade aquática e avifauna e é conhecida como Pantanal de Piracicaba ou Pantanal Paulista –, existe projeto do governo estadual de expansão do represamento de água desde a usina hidrelétrica de Barra Bonita para ampliar a hidrovia Tietê-Paraná.

Em agosto, em entrevista por telefone a Direto da Ciência, o diretor-executivo  da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz, negou que o órgão tenha sido pressionado a alterar a proposta original. Segundo ele, as mudanças foram decorrentes das conclusões dos próprios estudos para a criação das APAs, que tiveram também a participação de técnicos do Instituto Florestal, Instituto Geológico, Cetesb e da SMA.

Clique aqui para ter acesso à pauta da reunião do Consema, marcada para as 8h30 de amanhã (13) e demais documentos sobre a criança das duas APAs.

 

Rica biodiversidade

As duas áreas estão localizadas na região entre Piracicaba e Botucatu, no interior do estado de São Paulo. A proteção ambiental a ser proporcionada com a criação das duas APAs é importante para gestão sustentável integrada da biodiversidade e dos recursos naturais da região, especialmente os hídricos.

Objetivo da criação da APA Barreiro Rico é a conservação dos expressivos fragmentos de floresta nativa e sua fauna, em que se destacam o muriqui-do-sul, sagui-da-serra-escuro, sauá, bugio-ruivo e macaco-prego e muitas espécies de aves.

A APA Tanquã-Rio Piracicaba deverá promover a conservação da biodiversidade aquática e da avifauna residente e migratória do chamado Pantanal de Piracicaba ou Pantanal Paulista, o Tanquã, um ecossistema formado inesperadamente a partir da construção há cerca de 60 anos da barragem da usina hidrelétrica de Barra Bonita, no Rio Tietê, no centro do estado.

Na internet, a Rede Birdwatching de Piracicaba organizou um abaixo assinado para pedir a criação das duas APAs.

Na imagem acima, pôr-do-sol no Tanquã, o Pantanal de Piracicaba, em agosto de 2014. Foto: Maurício Tuffani.

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