Incêndio do Museu Nacional foi um dos três piores fatos da ciência de 2018

Revista Science escolheu também os desastres provocados pela mudança do clima e o anúncio da edição genética de bebês.

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

Na semana passada, a revista Science elegeu como Grande Avanço do ano a combinação de três novas tecnologias para rastrear a ação do DNA em cada célula ao longo do desenvolvimento embrionário. Mas a publicação, que é editada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), também escolheu os três maiores desastres de 2018, entre eles o incêndio do Museu Nacional, ocorrido em setembro.

A reportagem “Breakdowns of the Year” incluiu também os desastres provocados por mudanças do clima, como os incêndios devastadores no oeste dos Estados Unidos e norte da Europa, as ondas de calor com recorde de temperatura no sul da Europa, além de furacões, ciclones e inundações nas Américas e no leste do Oceano Pacífico.  Apesar de todos os alertas de cientistas, as emissões mundiais de gases estufa aumentaram em 2017 e também em 2018.

Outro fato desabonador para a ciência apontado pela revista foi o anúncio, na China, do uso da técnica de edição genética CRISPR em dois embriões que teriam resultado em duas meninas gêmeas. O controle ético cuidadoso e realizado de forma transparente tem sido o consenso sobre como devem ser conduzidas experiências genéticas com humanos. “He Jiankui, da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China, em Shenzhen, parece não ter atendido a nenhum desses critérios”, afirmou a reportagem.

 

‘Morte ardente’

“A morte ardente do Museu Nacional de 200 anos do Brasil, no Rio de Janeiro, foi dolorosamente simbólica daquilo que muitos pesquisadores temem que seja uma morte iminente da ciência brasileira”, escreveu o jornalista Herton Escobar, escalado pela Science para comentar o desastre brasileiro. “O museu incendiou-se na noite de 2 de setembro, após anos de falta de fundos e negligência por parte das autoridades. Os fundos públicos para a ciência na maior parte do país seguiram uma trajetória semelhante”, acrescentou.

Escobar afirmou também que “os temores se aprofundaram após a eleição de outubro do deputado de extrema direita Jair Bolsonaro como o próximo presidente do Brasil”, embora ele prometa triplicar o investimento em nos próximos quatro anos. E destacou que “o ex-capitão do exército está em desacordo com os cientistas em várias questões”, ameaçando tirar o Brasil do acordo de Paris sobre as mudanças climáticas e reduzir o financiamento para universidades federais.

Na imagem acima, chamas consomem o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, fundado em 1818. Foto: Tânia Dominici/arquivo pessoal.

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