CNPq atrasa pagamento de taxa de bancada para pesquisadores

Instituição diz que houve ‘erro de processamento’ e que já regularizou situação de adicional a bolsas para despesas de laboratório.

FÁBIO DE CASTRO

Pesquisadores que recebem bolsas de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) relataram, em janeiro e fevereiro, atrasos no pagamento das taxas de bancada – um complemento dos valores das bolsas concedido a pesquisadores das categorias mais altas na classificação da instituição.

Os cientistas consultados por Direto da Ciência relataram o recebimento normal dos valores referentes às bolsas, no quinto dia útil, mas vários deles perceberam atraso no pagamento da taxa de bancada. A situação já foi regularizada, segundo o CNPq, que é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Ex-presidente do CNPq, Glaucius Oliva, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP), afirmou ter recebido a taxa de bancada apenas nesta quarta-feira (13). O mesmo aconteceu com Adriano Andricopulo, também professor do IFSC-USP. “O CNPq pagou minha bolsa no dia 7 de fevereiro, mas não efetuou o pagamento da taxa de bancada, como faz sempre. Não sei o que aconteceu, o CNPq não enviou nenhuma nota sobre isso”, disse Andricoulo.

Tércio Ambrizzi, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, relata o mesmo problema. “Desde janeiro a taxa vem sendo paga com atraso. Anteriormente era paga junto com a bolsa, mas em janeiro, caiu no dia 10 e, em fevereiro, só no dia 13”, disse Ambrizzi.

 

‘Problemas operacionais’

Ao consultar os valores recebidos no sistema de atendimento do CNPq, os pesquisadores encontravam a mensagem: “Em virtude de problemas operacionais, o valor da taxa de bancada será pago em folha suplementar que está em processamento, sem data prevista para o pagamento. Favor aguardar e acompanhar na conta”.

O adicional de bancada só é pago para bolsistas de nível 1 que façam parte da modalidade de “produtividade em pesquisa”, ou “produtividade em desenvolvimento tecnológico e extensão inovadora”. As bolsas de nível 1, em ambas as modalidades, variam de R$ 1,1 mil a R$ 1,5 mil, enquanto as taxas de bancada vão de R$ 1 mil a R$ 1,3 mil.

Omar El Seoud, pesquisador do Instituto de Química da USP, disse não ter recebido ainda a taxa de bancada referente ao mês de janeiro. “Embora o valor desta taxa seja pequeno, cerca de R$ 1,3 mil mensais, esse recurso é muito útil para fazer compras rápidas de material importante de pequeno porte, fazer pequenos reparos e pagar o custo de publicações. Espero que atraso desta taxa seja temporário”, afirmou.

Michel Mahiques, professor do Instituto Oceanográfico da USP, não recebeu a taxa de bancada de fevereiro, apenas a bolsa. “Não me lembro de isso ter ocorrido antes, desde que passei a pesquisador nível 1. Eu costumo usar este recurso na manutenção do meu laboratório, para comprar livros, comprar ou atualizar softwares. No frigir dos ovos, vou ter que usar para isso o meu salário – que está há mais de cinco anos congelado.”

Questionado pela reportagem por meio de sua assessoria de comunicação, o CNPq respondeu que “houve um problema no processamento dos valores, mas os pagamentos foram feitos nesta quarta-feira”.

Acréscimo às 14h45 de 15/fev. Nesta sexta-feira a assessoria de comunicação do CNPq enviou nota afirmando: “O problema operacional foi pontual neste mês de fevereiro, não havendo registro nenhum de atraso no mês de janeiro. O CNPq reforça que a questão foi solucionada e os pagamentos realizados”.

Na imagem acima, edificio-sede do CNPq, em Brasília. Foto: Marcelo-Gondim e Carlos Cruz/CNPq/Divulgação.

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