Inep alerta para ‘fake news’ no WhatsApp sobre avaliação do ensino superior

Diretoria do instituto nega que programação de visitas de avaliadores estaria prevista somente até o mês de abril.


MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

Sem presidente há dez dias, desde a exoneração de Marcus Vinicius Rodrigues em meio à crise da gestão do ministro Ricardo Vélez Rodriguez no Ministério da Educação (MEC), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) está também às voltas com a divulgação entre grupos no WhatsApp do que sua direção chamou de “fatos inverídicos acerca dos procedimentos de avaliação in loco difundidos por pessoas sem o devido conhecimento do processo de avaliação externa realizado pelo Inep”.

Vinculado ao MEC, o Inep é a autarquia responsável pela produção de informações técnicas para a formulação de políticas educacionais em todos os níveis de governo, o que inclui o trabalho de avaliação do ensino fundamental, médio e superior.  Na avaliação de cursos superiores, o instituto desenvolve o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e as avaliações in loco realizadas pelas comissões de especialistas.

Na terça-feira (2), a Diretoria de Avaliação da Educação Superior (Daes) do órgão expediu um ofício aconselhando “à comunidade acadêmica e ao público em geralcom veemência, o cuidado na verificação das notícias e informações difundidas que não tenham como fonte oficial o Inep”. Entre o que chama de “informações inverídicas”, o documento menciona apenas que teria sido veiculada a afirmação de que a programação de visitas de avaliadores estaria prevista somente até o mês de abril.

Segundo o ofício, no entanto, estão previstas outras 800 avaliações in loco até maio e mais 3.500 avaliações ainda em designação, além das cerca de 1.500 realizadas e finalizadas em fevereiro e março.

 

‘A coisa desandou’

As avaliações in loco de cursos de graduação pelo Inep, segundo o ofício, contam com mais de 8.800 avaliadores credenciados, dos quais aproximadamente 6.000 foram selecionados e capacitados em 2018 e os demais deverão ser capacitados até o final de junho próximo.

“Em outros tempos esse tipo de mensagem seria impensável. O Inep sempre foi bem organizado. Agora parece que a coisa desandou”, afirmou o geógrafo Marcos Pedlowski, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense e avaliador do instituto desde 2007.

Essa divulgação negativa ocorre também em meio às notícias sobre irregularidades na impressão de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) durante dez anos, segundo relatório de auditoria técnica do Tribunal de Contas da União (TCU).

Em resposta à jornalista Renata Cafardo, do Estadão, presidentes anteriores do Inep negaram conhecimento do assunto e o instituto afirmou que “tão logo seja oficialmente notificado sobre a denúncia serão adotadas as medidas cabíveis junto às instâncias competentes” (“Inep e gráfica que imprimia Enem e faliu são suspeitos de direcionar licitações”).

A reportagem contactou o Inep no final da tarde de ontem, por meio de mensagem à assessoria de imprensa do instituto, mas não recebeu nenhuma posição do órgão até o fechamento desta reportagem.

Clique aqui para ter acesso ao ofício da Diretoria de Avaliação da Educação Superior do Inep.

Na imagem acima, edifício sede do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia federal vinculada ao Ministério da Educação (MEC), em Brasília. Foto: Inep/Divulgação.

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