Entidade critica plano de fusão dos institutos de Pesca e Zootecnia em SP

Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática pede manutenção do Instituto de Pesca, que hoje completa 50 anos.

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

A Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática (Aquabio) divulgou na quinta-feira (4) carta posicionando-se contra a fusão do Instituto de Pesca (IP) com o Instituto de Zootecnia (IZ), planejada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), à qual ambos são vinculados.

O “Pesca”, como passou a ser chamado desde sua fundação em 1969 e que completa 50 anos nesta segunda-feira (8), é a primeira instituição brasileira voltada ao estudo de ecossistemas aquáticos e à biologia de organismos marinhos e continentais, com vistas ao povoamento e repovoamento com espécies indicadas, como ressaltou a própria SAA.

Em seu manifesto, que foi encaminhado carta ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e ao secretário de Agricultura e Abastecimento, Gustavo Junqueira, a Aquabio afirma:

Após ampla discussão em nível de diretoria e com vários subsídios de outros membros, a sociedade entende que o desenvolvimento da aquicultura será bastante prejudicado com essa fusão, tanto no que concerne à pesquisa científica, como na difusão dos conhecimentos para o setor produtivo. Embora os dois institutos tenham pequena área de sombreamento, as diferenças são muito grandes, pois não há convergência temática e as especificidades são muito diferentes.

A Aquabio afirmou também que entende a necessidade de promover mudanças administrativas para adequação do Estado aos novos tempos. “No entanto, essas mudanças devem ser feitas sem prejudicar o desenvolvimento de áreas estratégicas como é a aquicultura no Estado de São Paulo”, acrescentou a entidade.

 

‘Falta de transparência’

No início de março, 33 outras entidades, entre centros de pesquisa e associações do setor pesqueiro, já haviam manifestado seu apoio a uma carta aberta de pesquisadores do Pesca publicada no site da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC). Nesse documento, pesquisadores e funcionários alegam que a proposta do governo carece de transparência e representa, na prática, a extinção dos dois institutos.

Os servidores do IP afirmam ainda que, sem o Pesca, o poder público perderá seu principal interlocutor com as cadeias produtivas da pesca e da aquicultura (“Pesquisadores rejeitam plano de fusão de institutos de Pesca e Zootecnia”).

Questionada por Direto da Ciência sobre seu posicionamento diante dessas críticas por meio de mensagem enviada na sexta-feira (5) à sua assessoria de imprensa, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento não pronunciou antes do fechamento desta reportagem, que será atualizada se houver resposta.

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Na imagem acima, fachada do Museu da Pesca, do Instituto de Pesca, em Santos (SP). Foto: Alexandre Moreira/Portal do Governo de SP/Divulgação.

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