MPF questiona Ibama sobre plano de conversão de multa da Vale em Brumadinho

Vista aérea da região afetada pelo rompimento da barragem I da Mina do Café, em Brumadinho (MG), captada durante sobrevôo em helicóptero do presidente Jair Bolsonaro em 26 de janeiro. Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República.

Força-Tarefa que investiga catástrofe provocada pela mineradora quer detalhamento de proposta feita pelo ministro Ricardo Salles.


Sexta-feira, 12 de abril de 2019, 8h05.

Procuradores da República que atuam no processo da Vale S/A pelo rompimento de suas barragens na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, solicitaram ontem, quinta-feira (11), explicações ao presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) sobre a possível conversão em investimento da multa de R$ 250 milhões aplicada à mineradora, informou ontem nota divulgada pelo Ministério Público Federal.

O questionamento foi motivado por declarações à imprensa feitas pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Ele anunciou que propôs à Vale converter os R$ 250 milhões em multas à empresa em investimentos em sete parque nacionais administrados pelo ICMBio: Caparaó, Grande Sertão Veredas, Caverna do Peruaçu, Sempre-Vivas, Serra do Gandarela, Serra da Canastra e Serra do Cipó.

“Esse tipo de medida, se for como divulgada, pode ter consequências graves sobre todo o processo de fiscalização ambiental e, no caso da tragédia de Brumadinho, sobre o valor da reparação dos danos socioeconômicos e ambientais, por isso precisa ser detalhada e analisada”, afirmou o procurador da República José Adércio Leite Sampaio, coordenador da força-tarefa que investiga o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho.

 

‘Saída ecológica’

As declarações do ministro, diz a nota do MPF, “provocaram a reação de especialistas, que consideram a proposta uma forma de transformar uma sanção ambiental em uma espécie de prêmio, convertendo os impactos gravíssimos da atividade da Vale em Minas em investimentos ambientais que ela poderá publicizar, dispensando a mineradora, ainda por cima, de passar pelas obrigatórias licitações exigidas para concessões de parques nacionais”.

Na quarta-feira (10), Salles negou que serão feitas concessões à mineradora e que as multas a ela aplicadas pela catástrofe em Brumadinho terão desconto, segundo reportagem do site O Eco.

Na verdade, o próprio ministro tumultuou a divulgação de sua proposta de “saída ecológica” para a mineradora.

Confira em “Ricardo Salles tumultua divulgação de sua ‘saída ecológica’ para a Vale”.

(Maurício Tuffani)

Na imagem acima, vista aérea de parte da região afetada pelo rompimento da barragem I da Mina do Café, em Brumadinho (MG), captada durante sobrevôo em helicóptero do presidente Jair Bolsonaro em 26 de janeiro. Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República.

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Um comentários;

  1. Leandro Fernandes said:

    Pior que tem gente que vai defender que isso está correto só pra querer manter coerência com essa linha insana de achar que “CRIME AMBIENTAL” é acidente, um caso da natureza. Gostaria de lembrar que independente de linha ideológica que seja apoiar um criminoso é se igualar a ele ou pior é dizer que o delito cometido foi correto, ou seja, você é tão criminoso quanto, pois é conivente do ato.

Comentários encerrados.

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