Funcionários acusam ministro Salles de ‘destruição da gestão ambiental’

Quarta-feira, 17 de abril de 2019, 16h05.


Servidores do Ministério do Meio Ambiente (MMA) decidiram reagir às sucessivas ofensas proferidas contra eles pelo ministro Ricardo Salles. O tratamento negativo por parte do ministro atingiu seu auge com a ameaça, na sexta-feira (12) de processo administrativo contra funcionários do ICMBIo por não terem comparecido a um evento com ruralistas na cidade de Tavares (RS), que motivou na segunda-feira (12) o pedido de exoneração de Adalberto Eberhard, presidente do Instituto Chico Mendes para Preservação da Biodiversidade (ICMBio).

Em carta aberta publicada em seu site nesta quarta-feira (17), a Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema), em nome de seus associados “preocupados e indignados com as últimas declarações e posturas do atual ministro”, afirmou:

O ministro vem, reiteradamente, atacando e difamando o corpo de servidores do ICMBio através de publicações em redes sociais e de declarações na imprensa baseadas em impressões superficiais após visitas fortuitas a unidades de conservação onde não se dignou a dialogar com os servidores para se informar sobre a situação e sobre eventuais problemas e dificuldades. Refere-se aos servidores de forma ofensiva, como em postagem no Instagram ao dizer que pretendia fortalecer o ICMBio “com gente séria e competente e não com “bicho grilo chuchu beleza” que “já tá provado que não funciona”.

Salles também tem reiteradamente acusado o ICMBio de ter deixado unidades de conservação em situação de abandono. A carta aberta informa que o instituto tem 1.593 servidores, o que corresponde a aproximadamente um para cada 100 mil hectares de área protegida.

“A título de comparação, o Serviço de parques norte-americano tem 1 servidor para cada 2 mil hectares (50 vezes mais do que o Brasil). O orçamento do ICMBio é de cerca de 330 milhões de reais por ano, representando cerca de 2 reais por hectare por ano, ou 0,009% do orçamento da União”, acrescenta o documento. 

Procurado por meio de sua assessoria de imprensa sobre a carta aberta da Ascema, o Ministério do Meio Ambiente não se pronunciou.

Confira a carta aberta “A destruição da gestão ambiental federal e os ataques aos servidores”.

Na imagem acima, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Foto: José Cruz/Agência Brasil.

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2 Comentários

  1. Pingback: O esvaziamento do ministério do meio ambiente - ClimaInfo

  2. Cristina Ramos said:

    O ANTIMINISTÉRIO
    (pelo médico e professor Manoel Olavo)
    Para cada pasta ele nomeou um inimigo dos valores que deveriam nortear aquela área. Gente que vai destruir os fundamentos da pasta que assumiu.
    – Para a economia, Bozo nomeou um economista sem qualquer qualificação ou respeito de seus pares, um mega especulador neoliberal, dono dum banco de investimentos, que pretende vender nosso patrimônio público e nossas reservas naturais a preço de banana, aprofundar a recessão e facilitar apenas a vida dos 1 % de mega ricos.

    – Para a justiça nomeou um fascista que pratica lawfare, politiza o direito e desrespeita a constituição e as regras do direito processual.

    – Para a casa civil dum governo autoproclamado moralizante e diferente da política tradicional, um notório corrupto do DEM.

    – Para a saúde, um inimigo declarado do SUS e da saúde pública. Executivo dos planos de saúde privados.

    – Para os direitos de mulheres e minorias, uma fanática religiosa que odeia e combate os direitos das mulheres e demais minorias.

    – Para o meio-ambiente, um sujeito que defende o desmatamento e os interesses do agronegócio.

    – Para a cidadania, um defensor da exclusão social e reclusão institucional de grupos minoritários.

    – Para a agricultura, uma deputada que tem o singelo apelido de “menina veneno”, por ser lobista de empresas transnacionais de agrotóxicos.

    – Para a educação, um defensor do obscurantismo, da distorção ideológica ultraconservadora do conteúdo curricular, do fim da autonomia universitária, da universidade pública, um inimigo da liberdade de pensamento, de pesquisa e de cátedra.

    – Para as relações exteriores, um fanático religioso medieval e anticomunista, defensor do isolacionismo, da adesão acrítica do Brasil aos interesses norte-americanos e de sua saída de acordos que o inserem na comunidade internacional.

    Desnecessário lembrar que o único ministério extinto por Bolsonaro foi o do trabalho. A medida fala por si só.

    No meio dessa malta de malucos, fanáticos, fascistas e venais, grande parte da equipe de Bolsonaro é composta por militares reformados e generais e almirantes ultraconservadores, sedentos de sangue e poder: secretaria de governo, secom, segurança institucional, minas e energia, defesa. Um time de camisa verde-oliva, pra quem a democracia é apenas um detalhe.
    Manoel Olavo

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