Funcionários criticam Salles por indicar militares para chefiar o ICMBio

Sexta-feira, 26 de abril de 2019, 10h44.


A Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema) divulgou ontem, quinta-feira (25), carta aberta criticando a indicação, pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de cinco oficiais da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo para os cargos da presidência e de todas as diretorias do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

No documento, a entidade afirma que, ao indicar os cinco oficiais, “o Ministro do Meio Ambiente dá mais um passo no desmonte da gestão ambiental no Brasil”.

Os cargos de presidente e de três das quatro diretorias do ICMBio ficaram vagos com os pedidos de exoneração de seus titulares. O primeiro a pedir para sair foi o então presidente, Adalberto Eberhard, no dia 12, em reação ao fato de Salles, dois dias antes, ter ameaçado publicamente com processo administrativo funcionários que não compareceram a um evento com ruralistas para o qual não haviam sido convocados.

 

Pedidos de demissão

Na quarta-feira (24), pediram suas exonerações o presidente-substituto Régis Pinto de Lima, que também é diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade, acompanhado por Luiz Felipe de Luca de Souza, que é diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação, e por Gabriel Henrique Lui, diretor de Ações Socioambientais e Consolidação Territorial em Unidades de Conservação.

No início da tarde dequarta-feira, em seu perfil no Twitter, Salles anunciou os novos diretores: “Cel PM Lorencini, Ten Cel PM Simanovic, Major PM Marcos Aurélio e Major PM Marcos José, que junto ao Cel PM Homero, farão um grande trabalho”. Para diminuir a temperatura da crise, na semana passada o ministro convidou para ser o novo presidente do ICMBio o coronel PM Homero de Giorge Cerqueira, atual comandante da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo.

A carta aberta da Ascema reconhece que “as polícias militares estaduais têm prestado importante apoio ao longo desses anos”, mas ressalta que, para o ICMBio, “é necessário que seus dirigentes tenham formação, capacidade técnica e experiência profissional na diversidade de temas e de realidades regionais que permeiam suas atribuições”

“Com as nomeações propostas, Ricardo Salles segue com o desmonte da gestão ambiental do país e com o desrespeito aos servidores dos órgãos ambientais e à sociedade brasileira, conforme já havia sido destacado na carta dos servidores publicada na última semana“, afirma a Ascema em seu documento divulgado ontem.

Acréscimo às 17h34. Cerca de uma hora antes da publicação desta reportagem às 10h44, solicitei por e-mail às 9h45 desta sexta-feira uma posição ao Ministério do Meio Ambiente sobre a carta aberta da Ascema, mas esqueci de informar neste texto sobre esse pedido. Seja como for, ainda não houve resposta.

Confira a carta aberta “Avança o desmonte da gestão ambiental”.

(Maurício Tuffani)

Na imagem acima, ao centro, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, com oficiais da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo escolhidos por ele para os cargos de direção do ICMBio. Foto: Instagram/Divulgação.

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