Consolidação de dados confirma 19,9% de devastação da Amazônia até 2018

Revisão feita pelo Inpe mostra que corte raso na floresta de agosto de 2017 a julho de 2018 foi 4,6% menor do que havia sido estimado.

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor
Terça-feira, 25 de junho de 2019, 17h20.

O Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou ontem, segunda-feira (24), a taxa anual consolidada de 7.536 km² do desmatamento por corte raso na parte brasileira da Floresta Amazônica no período de agosto de 2017 a julho de 2018. Esse resultado é 4,61% menor que a taxa estimada divulgada em novembro de 2018, que foi de 7.900 km².

Apesar de o dado consolidado do desmatamento em 2017-2018 ser menor que o previamente estimado, ele é 8,5% maior que o do período anterior (2016-2017), que foi de 6.947 km².

E, mesmo com a diminuição, continua sendo da ordem de 19,9% a extensão acumulada do corte raso no bioma Amazônia.  No acumulado, a floresta já perdeu 792,8 mil km2, ou seja 19,9% de sua extensão original à época do Descobrimento. Esse total equivale a pouco mais que a metade da área do estado do Amazonas (1.570,7 km2) ou ao triplo do estado de São Paulo (248,2 mil km2). Em comparação com outros países, podemos dizer que é maior que o dobro da área da Alemanha (356,7 mil km2).

Esse total acumulado ultrapassou o dobro do que havia sido alcançado em 1988, que após algumas correções foi estabelecido em 377.600 km2. Isso significa que naquele quase final da década de 1980 já estavam suprimidos cerca de 9,5% dos 3,99 milhões de quilômetros quadrados do domínio original do bioma Floresta Amazônica no Brasil.

A tabela a seguir mostra não só essas taxas anuais, mas também os totais acumulados a cada ano e ofuscados por todo esse amontoado de números.

 

As taxas anuais estimada e consolidada do corte raso na Amazônia são calculadas anualmente pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes).

O cálculo da taxa consolidada para 2018 foi obtido após o mapeamento de 215 cenas do satélite Landsat 8/OLI, dos Estados Unidos. A taxa estimada, divulgada em novembro, se baseou em 93 imagens do mesmo satélite que cobriam a área onde foram registrados mais de 90% do desmatamento no período anterior (agosto/2016 a julho/2017) e em 39 municípios prioritários para fiscalização, informou o Inpe em nota.

Nos estados, a maior taxa de corte raso da floresta foi a do Pará, com 2.774 km2, que correspondeu a 36,4% do total da Amazônia Legal, seguido pelo Mato Grosso, com 1.490 km2 (19,8%), Rondônia, com 1.316 km2 (17,5%), Amazonas, com 1.045 km2 (13,9%) e Acre, com 444 km2 (5,9%), cujo desmatamento foi o que mais cresceu, aumentando em 73% em relação ao ciclo anual anterior.

 

Contribuição por estado na taxa de desmatamento em 2017-2018

Fonte: Prodes/Inpe.

Números não mostram devastação total

Na verdade, a devastação total é ainda maior do que mostram os dados do Prodes, que correspondem somente às superfícies onde houve eliminação total da cobertura vegetal por meio de corte raso. Eles não consideram áreas muito degradadas pela extração seletiva de madeira e também por incêndios ocorridos anteriormente, que são monitoradas por outro projeto do Inpe, o Mapeamento da Degradação Florestal da Amazônia Brasileira (Degrad).

O monitoramento pelo Degrad começou a ser  realizado em 2007. Seus dados mais recentes apontaram que em 2011 essa devastação chegou a 24.650 km2, uma área aproximadamente equivalente a 10% do Estado de São Paulo. Esse estrago diminuiu para 8.634 km2 em 2012 e para 5.434 km2 em 2013.

A extensão dessas áreas degradadas sem corte raso é muito variável devido à influência das oscilações das condições climáticas. Nos anos mais secos, essa degradação tende a ser maior.

Correção em 19/jul/2019: o percentual de variação do desmatamento em 1990-1991, que constava erroneamente como +24,9%, foi devidamente corrigido para -19,7%.

Na imagem no alto, toras de madeira em pátio de serraria próximas ao município de Colniza, noroeste do Mato Grosso. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).

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