Chineses e austríacos realizam primeiro teletransporte quântico em 3D

Experimento com partículas de luz avança no caminho para comunicações de dados em altíssima velocidade na computação.

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor
Quinta-feira, 22 de agosto de 2019, 12h55.

Ainda estamos muito longe de realizar o teletransporte de uma minúscula partícula atômica. Mas, sinalizando avanços não tão distantes assim na informática, um estudo publicado na semana passada registrou que essa façanha foi obtida com informação digital em três dimensões por cientistas chineses em parceria com austríacos de um grupo pioneiro em experimentos nessa área de pesquisa desde os anos 1990.

Publicado no dia 15 no Physical Review Letters – um dos mais prestigiados periódicos especializados em física –, o estudo “Quantum Teleportation in High Dimensions” envolveu nove pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hefei e do Centro de Excelência em Informação Quântica e Física Quântica, também de Hefei, na China, e outros três da Universidade de Viena e do Instituto de Óptica Quântica e Informação Quântica e da Universidade, na mesma cidade, na Áustria.

O teletransporte quântico é a transferência imediata à distância, sem nenhum meio físico de transporte, não de uma partícula, mas da informação do estado quântico dessa partícula. Devido às enormes possibilidades de inovações tecnológicas no campo da informática, investimentos bilionários têm sido realizados por países desenvolvidos nas áreas de informação quântica e computação quântica.

 

De duas para três dimensões

“Nosso trabalho permitirá tecnologias quânticas avançadas em altas dimensões, já que o teletransporte desempenha um papel central em repetidores quânticos e redes quânticas”, escreveram os autores do estudo, entre eles o austríaco Anton Zeilinger, líder do experimento pioneiro com teletransporte quântico entre dois fótons em 1997. O fóton é a partícula de luz.

Os teletransportes anteriores realizados desde o primeiro experimento de Zeilinger haviam se limitado a transferir informação em qubit, unidade que se refere a duas dimensões – analogamente ao plano geométrico bidimensional.

No experimento divulgado na semana passada, os pesquisadores usaram um par de fótons “entrelaçados” por meio do equipamento transmissor (Alice) e do receptor (Bob). Cada fóton poderia ter um dos três caminhos possíveis cuja superposição produzia um estado quântico em três dimensões, em qutrit.

“Um fóton adicional no final de Alice – também em um estado quântico 3D – forneceu o estado a ser teletransportado”,  informou a Physics, revista de divulgação científica da Sociedade Americana de Física (APS), que edita o Physical Reviews Letters.

“O esquema pode ser útil em comunicações quânticas de alta velocidade, uma vez que um qutrit pode transportar mais informações do que um qubit”, explicou a reportagem da Physics.

Na imagem acima, ilustração/Pixabay.

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2 Comentários

  1. Marcelo Martinelli said:

    Pequena correção: Physical Review Letters.

    • Maurício Tuffani said:

      Corrigido, Marcelo. Obrigado. Esta deve ter sido a nona ou a décima vez em que cometo esse mesmo erro nos últimos 30 anos.

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