Na Reunião Anual da FeSBE, 800 cientistas protestam contra corte de verbas

‘Nossos políticos ainda não entenderam a importância da ciência’, disse secretário do MCTIC em evento da Federação de Sociedades de Biologia Experimental.

Terça-feira, 10 de setembro de 2019, 12h20.

Trajando roupas pretas e com cartazes nas mãos, mais de 800 cientistas de vários estados brasileiros compareceram à cerimônia de abertura da 34ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), que acontece nesta semana, em Campos do Jordão, São Paulo. Os protestos são em decorrência dos cortes no orçamento do sistema de Ciência e Tecnologia do país, especialmente na ameaça de interrupção das bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado, pós-doutorado e produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Em conferência, nesta terça-feira (10) pela manhã, o secretário de Políticas para Formação e Ações Estratégicas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), Marcelo Marcos Morales, refletiu sobre os impactos dos cortes no orçamento, as ações do MCTIC para tentar reverter essa situação e projetos em andamento na pasta.

Para Morales, a comunidade científica perde prestígio no Congresso Nacional, onde o orçamento é aprovado, desde 2014, quando os recursos entraram em declínio. Em 2018, o PIB brasileiro foi de R$ 6,8 trilhões, mas o dispêndio em pesquisa e desenvolvimento foi 1,27% do PIB, o que acaba refletindo na produção científica brasileira com uma comunidade de 180 mil pesquisadores e que, em 2018, representou apenas 2,63% da produção científica mundial.

“Nossa taxa de inovação é ainda preocupante”, ressaltou. “Esse baixo investimento, també reflete em nosso índice global de competitividade. Em um ranking global, incluindo 140 países, o Brasil se encontra na 72ª colocação.”

Segundo Morales, nossos políticos ainda não entenderam a importância da ciência, do complexo sistema de Ciência & Tecnologia brasileiro, que envolve a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Finaciadora de Estudos e Projetos (Finep) e o CNPq, e sua relevância para o desenvolvimento do país. Em 2013, o orçamento era de R$ 7,8 bilhões. Hoje, os recursos aprovados são da ordem de R$ 2,9 bilhões, com contingenciamento. Um valor inviável para projetos de ciência e inovação. Em 2015, o orçamento do CNPq era de R$ 1,2 bilhão para fomento e pagamento de bolsas de pesquisa. O orçamento aprovado em 2018 foi de R$ 789 milhões.

“Já sabíamos que o orçamento do CNPq acabaria em setembro. A economia está ruim, está. Estamos com problema na economia, estamos, mas não serão R$ 300 milhões que faltam ao CNPq, e que farão diferença na economia brasileira,” afirmou Morales. Segundo ele, ainda dá tempo de reverter a situação se o orçamento for recomposto. Se houver um crédito suplementar autorizado pelo Ministério da Economia, apresentado e aprovado pelo Congresso para salvar o CNPq.

Sem a percepção da sociedade sobre a importância da ciência e sem a compreensão dos politicos brasileiros, continuaremos a observar a queda vertiginosa nos recursos investidos na área e o fim de uma era.

Assessoria de Comunicação da FeSBE.

Na imagem acima, pesquisadores de todos os estados brasileiros em protesto contra acortes de recursos do governo para C&T na 4ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), em Campos do Jordão (SP), em 10/set/2019. Foto: FeSBE/Divulgação.

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