Pós-graduandos da Fiocruz fazem ato contra cortes em educação e ciência

Conselho Deliberativo da Fiocruz divulga comunicado contra corte de recursos da Capes e do CNPq.

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor
Terça-feira, 10 de setembro de 2019, 9h09.

Cerca de 150 pós-graduandos e pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), no Rio de Janeiro, realizaram na manhã de ontem, segunda-feira (9), uma manifestação na Avenida Brasil, com a palavra de ordem “Contra o fim da educação pública e da ciência no Brasil”. O alvo do protesto é a política de cortes de recursos pelo governo federal nas áreas de ensino superior e pesquisa que estão prejudicando as universidades federais, a Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Os pós-graduandos, acompanhados também por pesquisadores, iniciaram seu protesto na abertura de sua Semana de Pós-graduação Stricto Sensu, seguindo em marcha para a escadaria do Castelo Mourisco (edifício-sede da Fiocruz) e, de lá, para a Avenida Brasil, onde fecharam a pista local. Em um comunicado, a Comissão Organizadora do evento afirmou:

A pós-graduação é a engrenagem que movimenta a ciência nacional. O que o governo tem proposto é que pós-graduandos trabalhem de graça, ou então fiquem excluídos do acesso ao conhecimento e não participem da geração de conhecimento no país. É criado um cenário onde apenas a elite terá a oportunidade de realizar uma pós-graduação, visto que somente estes poderiam aceitar trabalhar sem receber.

 

Fiocruz se manifesta

No mesmo dia, além dos pós-graduandos, também se manifestaram – mas por escrito – os membros do Conselho Deliberativo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da qual o IOC é uma das 16 unidades técnico-científicas. Em nota oficial divulgada à tarde, o Conselho afirmou:

Os efeitos negativos dos sucessivos cortes na pesquisa e nas bolsas de estudantes, caso não sejam revertidos, vão repercutir negativamente nas próximas décadas, com prejuízos para o país em termos de sua capacidade de produzir conhecimento e de formar profissionais para dar conta dos graves problemas que atingem a população brasileira, afetando as atuais e futuras gerações.

A Fiocruz já havia perdido em maio 28 bolsas da Capes, das quais 17 de mestrado, nove de doutorado e duas de pós-doutorado, segundo o jornal O Globo. Agora, em setembro, devido a novas medidas de restrição pela agência federal, apenas no âmbito do IOC deixaram de ser implementadas 22 novas bolsas, sendo 15 de mestrado, 5 de doutorado e 2 de pós-doutorado, informou a assessoria de imprensa do instituto.

A origem da Fiocruz remonta a 1900, originalmente como Instituto Soroterápico Federal, fundado sob a direção do sanitarista Oswaldo Cruz (1872-1917) e que hoje é o IOC, que com seus 72 laboratórios atua nas áreas de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação e na prestação de serviços de referência para diagnóstico de doenças infecciosas e genéticas e controle de vetores.

Logo no início de sua atividade, a Fiocruz teve atuação decisiva no combate à febre amarela, à peste bubônica e à varíola. Nos anos seguintes, a instituição esteve na vanguarda da pesquisa e das ações de saúde pública do Brasil, inclusive na producão de vacinas. Recentemente, a Fiocruz produziu estudos relevantes sobre a dengue, a zika e chikungunya.

Confira a atuação da Fiocruz em seus 119 anos em sua linha do tempo.

Confira a “Nota do Conselho Deliberativo da Fiocruz em defesa da Pesquisa e da Pós-Graduação como patrimônios da sociedade brasileira”.

Na imagem acima, pós-graduandos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fiocruz, em protesto contra cortes de recursos para educação e pesquisa, na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, m 9/set/2019. Foto: Comissão Organizadora da Semana da Pós-Graduação do IOC/Divulgação.

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