Negacionista da USP faz ataque pessoal a Greta Thunberg

Sem apresentar um único fundamento explicativo, professor universitário parte para baixaria contra jovem ativista sueca pelo clima.

A covardia é a mãe da crueldade.
(Michel de Montaigne, Ensaios
)

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor
Quinta-feira, 26 de setembro de 2019, 13h15.

A jovem ativista sueca Greta Thunberg tem conseguido arrebatar corações e mentes já há algum tempo na mobilização por ações políticas urgentes para enfrentar as alterações climática. Nesta semana, devido à sua atuação contundente nas Nações Unidas, tanto na Cúpula pela Ação Climática, na segunda-feira (23), como na Assembleia Geral, no dia seguinte, aumentaram os ataques a ela nas redes sociais por parte das forças negacionistas do aquecimento global antropogênico.

No vale-tudo da internet, era mais do que previsível a campanha de ódio e desinformação contra Greta. Aqui no Brasil, a cruzada contra ela acaba de ganhar o reforço do mais notório negacionista do clima do país, o meteorologista Ricardo Felício, professor do Departamento de Geografia da USP.

Felício rejeita não só a concepção predominante entre os estudiosos do clima de que o aquecimento global tem sido provocado desde o século 19 pela ação humana e as próprias estimativas que apontam o aumento da temperatura média anual do planeta e projetam a continuidade desse crescimento para os próximos anos. Ele rejeita até mesmo a noção de desenvolvimento sustentável, posicionando-se também contra outras medidas preventivas da degradação ambiental em geral.

Em sua pregação negacionista, Felicio geralmente mal trata de aspectos científicos. Sua estratégia argumentativa baseia-se não só em qualificar como farsantes e pseudocientistas todos os adeptos da concepção da origem antrópica do aquecimento global, mas também em apelar deliberadamente para a confusão de conceitos e informações sobre o tema. E é isso o que Felício tem feito em apresentações, palestras e entrevistas, como expliquei no artigo indicado ao final deste texto.

Desta vez, também sem apresentar um único fundamento explicativo, para atualizar o repertório argumentativo de seus seguidores obscurantistas, Felicio fez despencar ainda mais o nível de sua retórica virulenta em sua página no Facebook. É o que mostra a seguinte transcrição de um treco de seu post repugnante.

Depois de ver essa sua foto, pude ter certeza que você realmente precisa de um tratamento psicológico ou psiquiátrico urgente, porque a sociedade mundial não está disposta a seguir a sua insanidade. Essa sua expressão revelou que a sua representação como uma vítima é completamente falsa. O que vimos foi um lobo feroz na pele de cordeiro querendo se vingar de todo o mundo.

Ontem, quarta-feira (25), a Fundação Right Livelihood anunciou que Davi Kopenawa, líder indígena Yanomami, no Brasil, e Greta foram dois dos quatro premiados da edição 2019 do concurso internacional que leva o mesmo nome da ONG, conhecido como “prêmio nobel alternativo”. Concedido desde 1980, tem o objetivo de honrar e apoiar pessoas corajosas na solução de problemas globais. Até hoje já contemplou 174 pessoas de 70 países (“Nobel alternativo premia os defensores climáticos Davi Kopenawa e Greta Thunberg”, 350.org)

Saiba mais sobre Ricardo Felício:

Na imagem acima, a ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, em manifestação à frente da sede das Nações Unidas, em Nova York, em 30 de agosto. Foto: Manuel Elias/UN Photo.

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6 Comentários

  1. Luiz Antônio said:

    Tuffani, por acaso você leu o texto de Luiz Felipe Pondé na Folha de São Paulo desta segunda feira 7/10/19, intitulado “A Guru Mimada”. Se sim, o que achou?

    • Maurício Tuffani said:

      Luiz Antonio, só consegui ler hoje o artigo de Pondé. Na minha opinião, ele tem obras muito boas de filosofia, mas caiu na armadilha do colunismo, que é a necessidade de manter elevada a temperatura de sua produção. Dentro desse script, no artigo ele mantém o foco na menina. E, previsivelmente, de forma negativa, pois seu último parágrafo nesse artigo mostra que ele acha inútil lutar contra o aquecimento global.

  2. Maurício Schulz said:

    Não se trata de agressão, mas de uma constatação. A pobre menina é vítima de manipulação e é sim possível que haja alguma síndrome presente nela ainda que em grau leve. Mas tudo isso é perfumaria. A grande questão não é discutir o indiscutível: derrubar desenfreadamente ecossistemas tem impactos locais óbvios e ponto. Porém, quando a ONU e interesses predominantemente europeus utilizam-se desse fato para interfirir nas economias e extrapolar a soberania de cada país apelando para o catastrofismo – o qual Ricardo Felício combate – e principalmente divulgar consensos científicos altamente questionáveis como fatos é perigoso. O alarmismo está servindo para impor condições político-econômicas. Essa é a verdade que está por detrás da farsa do aquecimento global. Vamos discutir a sustentabilidade em níveis possíveis e graduais por motivos plausíveis e que todos tenham benefícios não apenas grupos com interesses provincianos.

  3. João C. said:

    E qual o argumento contra o texto dele? NENHUM! Somente a tentativa de desqualificar a pessoa Ricardo Felício.

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