Físico destaca (mais um) aspecto ridículo de tuíte de Salles sobre navio do Greenpeace

Rogério Cezar de Cerqueira Leite comenta insinuação irresponsável do ministro do Meio Ambiente.

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor
Sábado, 26 de outubro de 2019, 8h29.

Após as repreensões e críticas que recebeu por ter feito no Twitter, na quinta-feira (24), insinuação falsa contra o navio Esperanza, do Greenpeace, associando-o irresponsavelmente ao derramamento oceânico de óleo que resultou no maior desastre ambiental do litoral brasileiro, o ministro do Meio Ambiente, RIcardo Salles, agora tem sua desvairada acusação destacada em mais um aspecto ridículo.

O “sabão” no imprudente ministro foi dado por um renomado pesquisador brasileiro, o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, um dos cientistas mais atuantes nas últimas décadas na construção e no debate público do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Em mensagem por e-mail a Direto da Ciência, o professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Presidente de Honra do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM) afirmou:

Salles sugere que o naviozinho do Greenpeace é responsável pelo despejo de petróleo no Oceano Atlântico e Bolsonaro está convencido de que o petróleo é da Venezuela.
Levando em consideração a quantidade de petróleo já despejado e o tamanho do naviozinho do Greenpeace, seriam necessárias 157 viagens, o que levaria aproximadamente dois anos e meio para levar todo o petróleo da Venezuela para o lugar em que se supõe esteja sendo derramado.
Parece que ainda não tem uma teoria de como armazenar este petróleo todo, pois está sendo lançado em apenas dois meses. Talvez os extraterrestres estejam ajudando.

 

Indignação geral

O tuíte irresponsável de Salles acabou ampliando a indignação contra a atuação do governo federal com o vazamento de óleo na costa brasileira. Ontem, sexta-feira (25), já se contabilizavam 231 localidades atingidas por manchas de óleo em 87 cidades de sete estados, inclusive em 13 unidades de conservação.

Além de Salles ter demorado 41 dias para acionar o Plano Nacional de Contingência, o governo federal violou ao menos 13 dos 23 artigos do decreto que instituíram o plano em 2013, como revelou ontem reportagem de O Globo.

Na noite de quarta-feira (23), em pronunciamento em rede nacional de televisão, Salles tentou defender a atuação do governo. Acuado por manifestações de protesto, ações judiciais e críticas de cientistas, ambientalistas, de prefeitos e governadores e até de deputados – que protocolaram um pedido de CPI –, Salles dissimulou ps atrasos e omissões do governo.

“Salles perdeu as condições de estar à frente do ministério”, disse o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Agostinho (PSB-SP), informou a Folha. “Um ministro que usa cadeia nacional para amenizar o caos e propagar fake news não pode ser levado a sério.”

Leia também:

Na imagem acima, o navio Esperanza, do Greenpeace, em tuíte do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Siga Direto da Ciência no Twitter e no Facebook.


Você acha importante o trabalho deste site?

Independência e dedicação têm custo. Com seu apoio produziremos mais análises e reportagens investigativas. Clique aqui para apoiar.


Todos os direitos reservados. Não é permitida a reprodução de conteúdos de Direto da Ciência.
Clique aqui para saber como divulgar.

Um comentários;

  1. Pingback: Óleo no Nordeste: o desastrado ataque de Salles ao Greenpeace - ClimaInfo

*

Top