Insistir no Brasil pode custar fim de carreira, diz jovem cientista que partiu

Bióloga estudante de mestrado estuda células de câncer de pele em laboratório da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Viçosa (MG). Na imagem, um microscópio invertido para estudo das células dentro do frasco. Foto: Mateus Fiqueiredo, sob licença Creative Commons Attribution 4.0 International.

‘Estamos acompanhando um desmanche na nossa principal agência de fomento de pesquisa do Brasil, o CNPq’, afirma pesquisador.

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor
Domingo, 17 de novembro de 2019, 7h43.

A seção Tendências/Debates da Folha de S.Paulo traz neste domingo o depoimento de um jovem pesquisador que deixou o Brasil. “Infelizmente, sou mais um jovem cientista que deixa o país para dar continuidade a um sonho iniciado na infância e viabilizado pelas agências de fomento à pesquisa brasileira. Fui, mas espero um dia voltar!”, afirmou Alex S. Lima, doutor pelo Instituto de Química da USP e pesquisador no Departamento de Química e Biologia Molecular da Universidade de Gothenburg, na Suécia.

“O Brasil investiu na minha formação durante 15 anos. Pagou meus estudos no exterior por pouco mais de um ano. Retornei para ser professor, montar um grupo de pesquisa e compartilhar o conhecimento que adquiri lá fora e aqui durante todos esses anos, mas as oportunidades no nosso país estão cada vez mais raras. Procurando alternativas, fui contratado na Suécia”, afirma o jovem pesquisador. Formado em química em 2008 pela Unesp, mestre (2011) e doutor (2015) em química pela USP, ele concluiu em 2018 seu pós-doutorado em Gothenburg, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa da Universidade de São Paulo (Fapesp).

“A insistência de um jovem cientista em permanecer no Brasil pode custar o fim de sua carreira”, diz Alex Lima, que abre seu artigo afirmando: “Estamos acompanhando um desmanche na nossa principal agência de fomento de pesquisa do Brasil, o CNPq, a mesma que possibilitou o início da realização do meu sonho e de muitos outros jovens de se tornar um cientista”.

Confira o artigo “Do desejo de ser cientista à ‘fuga’ da mão de obra”.

Imperdível também, na mesma edição, uma curta, mas profunda e contundente reflexão sobre o CNPq, de Maria Herminia Tavares de Almeida, professora titular aposentada de ciência política da USP e pesquisadora do Cebrap:

Crises são ocasiões para rever programas e procedimentos, refinar critérios de uso de recursos escassos, fixar prioridades. Não é isso, porém, o que se vê. Um governo cujo núcleo dirigente despreza a ciência, cultiva a ignorância e encara a universidade como reduto inimigo dispara mudanças sem nexo nem rumo. É o caso da proposta de fusão da Capes com o CNPq. Apresentada como ajuste, tem tudo para virar desmanche.

Confira em “Política de desmanche – Fusão da Capes com o CNPq tem tudo para virar desmanche”.

Na imagem acima, bióloga estudante de mestrado estuda células de câncer de pele em laboratório da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Viçosa (MG). Na imagem, um microscópio invertido para estudo das células dentro do frasco. Foto: Mateus Fiqueiredo, sob licença Creative Commons Attribution 4.0 International.

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