Plataforma usa geoespacialização para monitorar Covid-19 na Bahia

Projeto foi desenvolvido por três universidades e startup para municiar gestores de saúde com mapas e cenários de evolução da doença.

JOSÉ ALBERTO GONÇALVES PEREIRA
Segunda-feira, 6 de abril de 2020, 7h16.

A necessidade de entender a dinâmica espacial e temporal da disseminação na Bahia e no Brasil da Covid-19, doença respiratória causada por um novo coronavírus, motivou cientistas das áreas de computação, geotecnologias, matemática, física e saúde (principalmente epidemiologistas) a desenvolver o Portal Bahia Covid-19.

Lançado como plataforma web em 31 de março, o portal apresenta informações geoespacializadas sobre a evolução dos casos da doença na Bahia e projeções para 300 dias geradas por um modelo matemático-epidemiológico que inclui dados do fluxo de pessoas entre as cidades.

Segundo Washington Rocha, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e coordenador do grupo de trabalho que desenvolveu a plataforma, a iniciativa atende tanto ao cidadão comum como a gestores da área de saúde.

 

Cenários espaciais e temporais

“O contágio ocorre territorialmente, de forma geográfica”, diz Rocha ao explicar a importância da localização dos casos de Covid-19 e hospitais em mapas por meio do geoprocessamento. A visualização de informações georreferenciadas numa plataforma digital na internet municia tomadores de decisão com cenários espaciais e temporais mais precisos.

Além da UEFS e da UFBA, o projeto conta com a participação da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), da startup de geoinformação GeoDatin e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia (SECTI).

“Queremos contribuir para o entendimento da dinâmica de contágio da Covid-19 na Bahia e no Brasil, empregando uma metodologia confiável para gerar mapas e modelos espaciais sobre a evolução da doença”, diz Rodrigo Vasconcelos, professor do Programa de Pós-Graduação em Modelagem em Ciências da Terra e do Ambiente (PPGM) da UEFS e sócio-fundador da Geodatin.

O Portal Bahia Covid-19 contém dados espacializados (georreferenciados) dos 417 municípios baianos em mapas com atualização diária sobre casos confirmados, pacientes recuperados e mortes, assim como projeções de evolução do contágio em dois cenários – com redução de 30% e 80% na circulação de pessoas entre as cidades pelas vias aérea, ferroviária, hidroviária e rodoviária.

 

Projeções de evolução

“Há uma correlação direta entre circulação de pessoas dentro e entre os municípios e a propagação da doença”, assinala o professor José Garcia Vivas Miranda, coordenador do Laboratório de BioSistemas (LabBio) da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O modelo foi elaborado por pesquisadores do LabBio/UFBA, UEFS, UESC, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) e Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (CIDACS/Fiocruz Bahia).

Miranda conta que em duas semanas o Portal Bahia Covid-19 começará a apresentar projeções de evolução da doença para todo o Brasil nos cenários de circulação de pessoas mais e menos restritivos.

“A verdade é que já rodamos internamente os dados do Brasil todos os dias e já deu para ver que o mecanismo é o mesmo. A melhor estratégia é a de diminuir ao máximo o fluxo entre municípios para que os picos das epidemias ocorram dessincronizados, evitando um colapso na rede hospitalar, que aumentaria significativamente a taxa de mortalidade”, explica o coordenador do LabBio.

Na imagem acima, tela da plataforma Portal Bahia Covid-19, desenvolvida na Universidade Estadual de Feira de Santana (BA). Imagem: reprodução.

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2 Comentários

  1. Ivan Carlos Maglio said:

    Importante ferramenta desenvolvida na Bahia para monitorar os casos de COVID 19, enquanto isso o Estado de São Paulo até agora não apresentou um georreferenciamento dos casos para orientar as ações de Saúde Pública. Só a Secretária de Saúde Municipal de São Paulo apresentou um relatório mostrando a maior parte dos casos na região oeste ( Lapa _ Pinheiros (264 casos), Butantã -63 e Vila Mariana – Jabaquara – 90). Novamente, nessa crise do Coronavirus vemos a falta que faz a EMPLASA que tinha um sistema robusto de dados espaciais que foi desativada indevidamente pelo governo do Estado de São Paulo. Nesse momento crítico batemos cabeças para conseguir trabalhar com os dados geoespacializados de casos de COVID confirmados no ESP, tão importantes para as políticas públicas contra a COVID 19. Nem mesmo a USP teve até agora acesso a esses dados fundamentais.

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