Goiás usa experiência com monitoramento ambiental contra Covid-19

PLataforma para acompanhar doença e fazer projeções sobre sua evolução foi desenvolvida pelo laboratório de geoprocessamento da UFG.

JOSÉ ALBERTO GONÇALVES PEREIRA
Terça-feira, 7 de abril de 2020, 11h50.

O Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento da Universidade Federal de Goiás (LAPIG/UFG) é um centro de excelência na produção de informações geográficas e análise espacial voltadas ao monitoramento ambiental e territorial dos biomas brasileiros. Devido à sua vasta experiência no mapeamento do uso do solo nas áreas de pastagens, o LAPIG/UFG coordena o tema no MapBiomas, rede colaborativa criada em 2015 pelo Observatório do Clima.

Numa operação relâmpago, o LAPIG/UFG decidiu entrar na guerra contra a Covid-19, doença respiratória causada pelo Sars-CoV-2, um novo tipo de coronavírus. Tudo começou numa conversa telefônica na manhã de 22 de março, um domingo, entre dois pesquisadores do LAPIG, que também são professores do Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) – Laerte Guimarães Ferreira Júnior, fundador do laboratório em 1994 e pró-reitor de Pós-Graduação da UFG, e Manuel Eduardo Ferreira.

Imediatamente, três subgrupos foram criados no LAPIG para desenvolverem uma plataforma web para o monitoramento espacializado (georreferenciado) dos casos de Covid-19 em Goiás – tecnologia da informação, base de dados e modelagens. Com o nome de Covid Goiás UFG, a primeira versão da plataforma foi lançada em 31 de março.

 

Dados à disposição

A plataforma web Covid Goiás UFG monitora a pandemia nos 246 municípios do estado. Por meio de mapas e gráficos, a plataforma apresenta dados de área das cidades, número de habitantes, densidade populacional, casos confirmados, óbitos e projeções sobre a evolução do contágio no estado. Uma área de serviços gerais permite ao usuário acessar informações sobre a malha viária de sua região e a localização de hospitais, farmácias e supermercados.

“A expectativa é aprofundar os detalhes à medida que as secretarias de saúde dos municípios e do estado nos enviem mais informações de fontes locais e do Sistema Único de Saúde (SUS)”, explica Manuel Ferreira, que coordena o projeto conjuntamente com Laerte Ferreira Júnior. O pesquisador aponta inúmeras utilidades da espacialização para as ações de prevenção e combate à doença.

“É possível gerir a eficiência das medidas de isolamento, empregando-se uma camada de dados dinâmica sobre o trânsito como o Google Maps. Outras bases podem auxiliar a gestão de atendimentos hospitalares, indicando o número de leitos disponíveis ou ocupados, tempo de atendimento e locais de testes para diagnóstico rápido, ou mesmo de vacinação da H1N1”, observa o pesquisador. O epidemiologista pode, por exemplo, decidir para onde e quando devem ser enviados kits de testes para a Covid-19 se possui informações mais precisas sobre populações socialmente mais vulneráveis.

Projeções são geradas por uma combinação de modelos epidemiológicos, como o exponencial e o SEIR, utilizado nas ações contra a dengue, considerando o histórico de ocorrências diárias da doença. No dia 4 de abril, por exemplo, o portal mostrava que o número de casos no estado está dobrando a cada 5,594 dias. A aba “Projeções” encontra-se na caixa com informações sobre a Covid-19 (para abri-la, clique no segundo ícone de cima para baixo no menu posicionado na lateral esquerda da página).

 

Expansão

O LAPIG cogita incluir em breve novas camadas de dados na plataforma, como deslocamentos da população, mapas de aglomeração e zonas de maior risco para grupos mais vulneráveis (como idosos e populações de baixa renda). “Seriam cruzados dados diários do SUS e de secretarias de governo com mapas de temas diversos (infraestrutura, indústria , comércio, hospitais e escolas, entre outros).

Na área restrita da plataforma web, o LAPIG deverá introduzir informações do rastreamento dos casos por município, destacando endereço, gênero, histórico de contágio e idade dos pacientes em quarentena, e mapas que representam as zonas de contágios. Apenas autoridades e especialistas em saúde terão senha para entrar na área restrita.

A equipe do portal é composta por 20 profissionais e pesquisadores do Lapig/UFG entre desenvolvedores web, geógrafos, cartógrafos da engenharia ambiental, estatísticos e profissionais de informática provenientes de quatro unidades da universidade – Instituto de Estudos Socioambientais (IESA), Instituto de Matemática e Estatística (IME), Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP) e Escola de Engenharia Civil e Ambiental (EECA).

A falta de uma plataforma nacional estaria motivando universidades e empresas de tecnologia a criar projetos focados em alguns estados? “Não diria que a nossa iniciativa tenha sido lançada tão somente pela falta de uma plataforma nacional, mas, sem dúvida, isto teve um papel motivador.”

Na imagem acima, tela da plataforma Covid Goiás UFG, desenvolvida na Universidade Federal de Goiás (UFG). Imagem: reprodução.

Siga Direto da Ciência no Twitter e no Facebook.


Você acha importante o trabalho deste site?

Independência e dedicação têm custo. Com seu apoio produziremos mais análises e reportagens investigativas. Clique aqui para apoiar.


Todos os direitos reservados. Não é permitida a reprodução de conteúdos de Direto da Ciência.
Clique aqui para saber como divulgar.

3 Comentários

  1. jose verissimo teixeira da mata said:

    É magnífico ver pessoas de diferentes universidades na Bahia e de diferentes áreas na Universidade Federal de Goiás apresentando uma ferramenta poderosa no combate da pandemia! Espero que, saindo dessa, a universidade no Brasil e o seu setor
    de saúde(incluindo a indústria) saiam mesmo fortalecidos….! Parabéns ao Direto da Ciência, que se firmou como um espaço
    insubstituível do jornalismo investigativo!

  2. Ivan Carlos Maglio said:

    Muito bom. Mais um estado organiza essa ferramenta, mas São Paulo ainda patinado. Que falta está fazendo os trabalhos de Geoespacialização da EMPLASA. Pelo que sabemos o IGC, órgão que recebeu essas atribuições da EMPLASA não tem essa expertise? Vocês poderiam verificar isso? Que fará esse importante trabalho para o Estado de São Paulo?

*

Top