Governo Doria pretende extinguir a Fundação Florestal de SP

Iniciativa integra pacote de medidas previstas para enfrentar a queda na arrecadação do estado devida à pandemia da Covid-19.

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor
Sexta-feira, 7 de agosto de 2020, 18h19.

A gestão do governador João Doria (PSDB), de São Paulo, pretende extinguir em 2021 dez autarquias e fundações, entre elas a Fundação Florestal (FF), ligada à Secretaria da Infraestrutura e Meio Ambiente.

A decisão foi anunciada nesta sexta-feira pelo secretário de Projetos, Orçamento e Gestão do governo estadual, Mauro Ricardo, em entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes.

A iniciativa integra um conjunto de medidas previstas para enfrentar a queda na arrecadação do estado devida à pandemia da Covid-19, que em 2020 deve resultar em um déficit de cerca de R$ 27 bilhões para o estado, segundo o secretário. Questionado sobre quais instituições o governo pretende extinguir, Mauro Ricardo mencionou somente três: a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e a FF.

 

Unidades de Conservação

A Fundação Florestal administra 102 unidades de conservação que compreendem 15 estações ecológicas, 34 parques estaduais, 33 áreas de proteção ambiental, entre outras. Dos seus 512 cargos, 131 encontram-se vagos, segundo o Portal da Transparência do Estado.

Criada em 1986 para ser principalmente um órgão de apoio ao Instituto Florestal (IF), a FF durante 20 anos administrou poucas unidades. A partir de decreto que em dezembro de 2006 instituiu o Sistema Estadual de Florestas (Sieflor), a fundação começou a exercer a gestão de áreas do instituto.

Direto da Ciência questionou a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente sobre como a pasta pretende administrar as 102 unidades de conservação sob a responsabilidade da Fundação. A assessoria de imprensa da SIMA orientou a reportagem a encaminhar a questão para a Secretaria de Governo.

Em nota, a Secretaria de Governo respondeu que a iniciativa será submetida à Assembleia Legislativa. Segue a íntegra da resposta.

O Governo do Estado prepara um conjunto de medidas, que será submetido ao legislativo, para a modernização administrativa e equilíbrio fiscal das contas públicas de São Paulo, com o objetivo de evitar um déficit estimado em R$ 10,4 bilhões para 2021 e garantir o pagamento de fornecedores e salários, além de aumentar a capacidade de investimento. Desta forma, São Paulo se antecipa, sem qualquer prejuízo às atividades e serviços geridos pela Administração Estadual.

Na imagem acima, o secretário de Projetos, Orçamento e Gestão do governo de São Paulo, Mauro Ricardo, em entrevista à Rádio Bandeirantes. Foto: YouTube/reprodução.

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3 Comentários

  1. Luciana said:

    O que farão com os funcionários desses órgãos?

  2. Ivan Carlos Maglio said:

    Fui conselheiro da Fundação Florestal qdo ela foi criada em 1987. A Fundação foi criada para fortalecer a gestão das UCS e Parques Estaduais. Tinha fundo e orçamento para dinamizar a gestão das UCs. Houve grandes avanços no ESP. Mas nada sobrevive ao neoliberalismo com sua sede de concessão e privatização. Uma espécie de solução única para tudo! Lamentável! Espero que não passe na Assembleia Legislativa. Mas se já acabaram com o órgão de planejamento urbano metropolitano, a EMPLASA e desmontaram o melhor acervo técnico de planejamento no Brasil e paralisaram um sistema de informação modernissimo e ágil para as Regiões Metropolitanas, que tanta falta está fazendo para enfrentarmos a pandemia da Covid 19. O que nos resta alem de lutar contra mais esse absurdo!

    • Laercio Couto said:

      Essa Fundacao Florestal nao tem utilidade alguma a não ser servir de base para a captação dos recursos e sua distribuição em face da impossibilidade da Secretaria de Meio Ambiente, da Secretaria de Agricultura e do Instituto Florestal lidarem com as altas somas de $$$ que ali aportam em face de operações de resinagem e venda de madeira dos diversos hortos. Na realidade não vejo o porque do Instituto Florestal estar na Secretaria de Meio Ambiente. Não tem nada a ver com esse setor. Deveria ser a Secretaria de Meio Ambiente e a Secretaria de Agricultura deveria remover de si esse negocio de abastecimento e ser direcionada para o que deve ser: Agricultura, Florestas e Pecuaria. O resto e’ historia para boi dormir e logicamente afeta os que tem negócios baseados nessa atual estrutura que e’ inoperante e esdrúxula. Mas o Deputado Frederico D’Avila tem uma noção exata de como tudo isso tem de ser.

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