Os novos presidentes do Congresso e o risco de novas ‘boiadas’

Apoio de Lira e Pacheco a Bolsonaro poderá gerar ‘votações de retrocessos em série’, diz secretário executivo do Observatório do Clima.

MAURÍCIO TUFFANI,
Editor
Terça-feira, 2 de fevereiro de 2020, 12h40.

Na noite de ontem, segunda-feira (1º), mal haviam sido eleitos os novos presidentes Arthur Lira (PP-AL), da Câmara dos Deputados, e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), do Senado, as perspectivas para o meio ambiente no Legislativo não eram nada animadoras para os ambientalistas.

Um dos primeiros a se posicionar sobre esse novo cenário foi Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, uma rede formada em 2002, composta atualmente por 56 ONGs. Na avaliação dele,

“Sozinho, o governo Bolsonaro já impõe prejuízos imensos ao meio ambiente e à luta contra as mudanças climáticas. Esperamos que os novos presidentes da Câmara e do Senado não resolvam se aliar ao Executivo em sua política de ‘passar a boiada’, ou veremos votações de retrocessos em série, estimulando ainda mais o desmatamento e o crime ambiental. Seria desastroso para o país e aprofundaria a crise de imagem do Brasil.”

Hoje, em seu perfil no Twitter, Astrini detalhou a agenda antiambiental do presidente Jair Bolsonaro e da bancada ruralista, apontando os seguintes tópicos:

  • Extinção do ICMBio,
  • enfraquecimento do licenciamento ambiental PL 191, que libera mineração em terras indigenas,
  • CPI das ONGs e controle soc. civil,
  • liberação venda de terras p/ estrangeiros,
  • mutilação do código florestal,
  • estímulo a grilagem de terras,
  • leis facilitando caça de animais e criação (+ tráfico) de silvestres,
  • PL do ‘liberou geral’ para agrotóxicos,
  • CPI das ONGs e controle sociedade civil,
  • liberação venda de terras p/ estrangeiros,
  • mutilação do código florestal,
  • estímulo a grilagem de terras, leis facilitando caça de animais e criação (+ tráfico) de silvestres,
  • revisão (extinguir) Unidades de Conservação,
  • revisão de demarcações de terras indígenas, e
  • proibição da destruição de equipamentos usados pelo crime para prática do desmatamento e garimpo ilegal.

“Isso só pra começar”, acrescentou Astrini.

Na imagem acima, Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima. Foto: Márcia Alves/Observatório do Clima.

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