Resposta por e-mail da diretoria do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer

Mensagem enviada para o editor de Direto da Ciência em 20/5/2016 às 12h03 por e-mail por Victor Pellegrini Mammana, diretor do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), de Campinas (SP), com cópia para a assessoria de imprensa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
(Complemento do post “Ministério da Ciência mantém há um ano diretor de centro com mandato encerrado”, de 23/5/2016.)

Prezado Maurício,

Eu peço desculpas, mas após você ter interrompido o contato por telefone por conta da sua internet, eu tive que viajar para São Paulo e não pudemos mais nos falar.

Em respeito pelo seu interesse pelas atividades do CTI, vou tentar responder suas perguntas rapidamente, como segue. Alguns pontos tem como origem a minha memória, portanto podem precisar de alguma revisão.

1) A convocação do CTC para chamar o Comitê de Busca foi feita em 28 de novembro de 2014, para a realização da reunião em 3 de dezembro de 2014, portanto dentro do Prazo. Por solicitação de um dos candidatos a Diretor, feita em 1o de dezembro de 2015, esta reunião foi adiada. Cabe ressaltar que aquele candidato era também membro do CTC. O adiamento de uma reunião de CTC obriga a adequação da agenda de todos os envolvidos, o que provoca atrasos. Esta solicitação daquele candidato obrigou a transferência da reunião para o início de 2015, principalmente por conta das festas de final de ano. Portanto, a Diretoria à época tomou todas as medidas pertinentes. Se não tivesse garantido a presença do referido candidato na reunião, hoje poderia estar sendo criticada por isso. Entendo que foi a medida apropriada para aquele momento.

2) O programa CI-Brasil no CTI teve seus recursos descontinuados, como afirmado. Ele é conhecido internamente como CT2. Na época em que o CT2 foi interrompido, ocorreram gestões da Administração para mantê-lo em nossa instituição. Entretanto, hoje, olhando retrospectivamente, é possível considerar que o CT2 é um papel que cabe melhor para universidades e não centros de pesquisa. Este é um tema que foi muito debatido na época e existem diferentes visões sobre isso. Como eu afirmei para você no telefonema, o ideal é você solicitar informações para o Dr. Henrique Miguel, da SEPIN, que coordena esta capacitação em nível nacional. O CTI apenas executa as políticas públicas que lhe são demandadas. A decisão sobre como o programa CI Brasil será executado é prerrogativa da SEPIN e não do CTI. Outra pessoa que vc pode consultar é o representante do CTI no Comitê do CI Brasil. Não cabe ao Diretor do CTI questionar estas decisões.

3) Sabe-se que a orientação desta gestão, desde o primeiro comitê de busca em 2011, é pelo estímulo a atividades com ainda maior conteúdo tecnológico, ao invés de foco em prestação de serviços que competem com o setor privado. É um equívoco pensar que o CTI deve ser uma linha de produção em áreas já consolidadas no setor produtivo. Evidentemente que esta visão não exclui a possibilidade do CTI atuar na produção de bens por períodos limitados, em determinadas condições, como é o caso de atividades no setor aeroespacial, por exemplo. Esta linha de raciocínio não deve ser interpretada como uma necessidade de interromper prestação de serviços. Ao contrário, é necessário manter prestação de serviços em níveis adequados, para que o CTI não perca a conexão com a realidade do mercado. Esta visão foi apresentada aos comitês de busca de 2011 e 2015, um fato que reforça a legitimidade para sua implantação. Este posicionamento da atual Diretoria é muito conhecido e, certamente, é objeto de diferentes visões, mas é uma necessidade, considerando-se a missão do CTI que deve buscar sempre sair das áreas consolidadas e caminhar para as de fronteira. Se houve uma redução da prestação de serviços de menor conteúdo de inovação, com um aumento marginal no faturamento médio por serviços, por outro lado houve um crescimento muito maior na quantidade de recursos para projetos de inovação, grande impacto ou visibilidade. Isto é parte da proposta desta gestão mas é preciso dizer que não houve uma medida objetiva de redução desta prestação de serviços. Ao contrário, o que houve foi uma busca maior por projetos. A governança do processo de prestação de serviços permaneceu nas divisões tecnológicas durante todo o período desta gestão, sem intervenções. As iniciativas da diretoria foram mais no campo da orientação. É difícil dizer se a redução da prestação de serviços de menor conteúdo de inovação ocorreu por conta desta orientação da Diretoria, pela oferta dos mesmos por outras instituições, ou pela crise econômica. Eu não tenho como dar esta resposta agora.

4) O CTI fez o edital do parque tecnológico CTITec, já tendo ocorrido a homologação. Segundo o coordenador do Parque Tecnológico, neste momento o processo está dentro do prazo de 120 dias para assinatura do contrato pela parte privada.

Fico à disposição para mais esclarecimentos, lembrando que meu tempo é um pouco exíguo. Espero que você compreenda.

Att.,

Victor

A mensagem acima foi enviada após Direto da Ciência ter encaminhado no dia anterior (19/5) as seguintes questões.

  1. O sr. me disse em nosso contato por telefone na terça-feira (17/5) que na condição de presidente do CTC solicitou ao MCTI a formação do comitê de busca em 28/5/2015 com menos de um mês de atraso. Na verdade, o Estatuto do CTI estabelece que esse pedido tem de ser feito seis meses antes da conclusão do período de 48 meses do mandato do diretor, que se encerrou em 17/6/2015 17/5/2015. Ou seja, o pedido deveria ter sido encaminhado ao MCTI até meados de dezembro novembro de 2014. Por que demorou tanto assim?
  2. No mesmo contato por telefone o sr. afirmou que o CTI não deu continuidade à participação no CI Brasil porque o programa teria sido descontinuado. A informação não procede, como mostra o site do próprio CI Brasil (http://www.ci-brasil.gov.br/index.php/pt/).
  3. Outras fontes consultadas afirmaram que sua gestão não conseguiu avançar significativamente no entrosamento com o setor produtivo, e apontaram o CTITEC como um “elefante branco” que não deu resultados. O que o sr. tem a dizer sobre isso?
  4. Com relação ao “Manifesto dos Doutores”, pergunto, por favor, quais foram os signatários que o sr. afirmou terem se arrependido?

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